Esta página é para famílias de crianças, adolescentes e adultos com autismo nível 2 ou 3 de suporte. Para o quadro geral do canabidiol no autismo, veja o guia de canabidiol para autismo. Para o nível 1, veja canabidiol para autismo leve.
⚠️ Importante: não suspenda nem reduza nenhum remédio por conta própria, inclusive a risperidona. A decisão de associar ou trocar é do médico. Agende sua consulta com a Fito Canábica →
O que significam autismo nível 2 e nível 3?
Os níveis indicam quanto suporte a pessoa precisa no dia a dia, segundo o manual de diagnóstico usado pelos médicos (DSM-5). No nível 2, ela precisa de suporte substancial: a comunicação e a interação são bem limitadas, e mudanças de rotina costumam gerar sofrimento. No nível 3, precisa de suporte muito substancial: muitas vezes fala pouco ou não fala, e os comportamentos repetitivos e as crises interferem bastante na vida. O nível pode mudar com o tempo e com o tratamento.
Para quais sintomas o canabidiol ajuda nos níveis 2 e 3?
- Agressividade, autoagressão e crises de comportamento: é a principal razão para começar, e onde está a melhor evidência.
- Irritabilidade e agitação: melhoraram nos estudos com quadros moderados a graves.
- Sono: muitas famílias relatam melhora, mas no ensaio com placebo que mediu o sono a diferença não apareceu. Veja canabidiol e sono no autismo.
- Comunicação e contato visual: melhoraram no estudo do Hospital Universitário de Brasília (Mazza, 2024). A comunicação não verbal costuma mudar antes da fala. Veja canabidiol e autismo não verbal.
O que dizem os estudos com autismo moderado a grave?
| Estudo | Quem participou | O que encontrou |
|---|---|---|
| Aran e colaboradores, 2021 (Molecular Autism) | Ensaio com placebo com 150 participantes de 5 a 21 anos com autismo e problemas de comportamento, Israel | Na avaliação clínica, o comportamento melhorou muito em 49% com o extrato de planta inteira, contra 21% no placebo. O questionário de comportamento em casa não mudou. |
| Mazza e colaboradores, 2024 (Pharmaceuticals) | 30 crianças e adolescentes de 5 a 18 anos com autismo moderado a grave, Hospital Universitário de Brasília. Sem grupo placebo | Com full spectrum rico em CBD em dose individual, melhoraram a comunicação, a atenção, o aprendizado e o contato visual, e diminuíram a agressividade e a irritabilidade, com poucos efeitos colaterais. |
| Aran e colaboradores, 2019 (Journal of Autism and Developmental Disorders) | 60 crianças com crises graves de comportamento, a maioria com baixo funcionamento. Sem grupo placebo | As crises de comportamento melhoraram muito em 61%. Uma criança que usou produto com mais THC teve uma reação psicótica passageira. |
| Barchel e colaboradores, 2019 (Frontiers in Pharmacology) | 53 crianças e jovens, Israel. Sem grupo placebo | A autoagressão e as crises de raiva melhoraram em 68% das crianças que tinham esses sintomas. Entre as que tinham ansiedade, ela piorou em cerca de um quarto. |
A leitura de conjunto: nos quadros com mais suporte e com problemas de comportamento, os estudos sem placebo mostram melhora na maioria das crianças, e o ensaio com placebo mostra uma diferença menor, mas real. A certeza da evidência ainda é baixa, e faltam ensaios maiores (Riera, 2025).
Pode usar canabidiol junto com a risperidona?
Pode, e é comum nos níveis 2 e 3. A risperidona é o remédio mais usado para agressividade e irritabilidade no autismo, e é a indicada pelo protocolo do SUS. Muitas famílias chegam ao canabidiol porque a resposta não foi suficiente ou porque os efeitos colaterais, como ganho de peso e sonolência, incomodam. O médico pode associar o canabidiol e, com o tempo, avaliar se dá para reduzir a risperidona. Como os dois podem dar sono e o CBD interage com remédios metabolizados no fígado, o ajuste é feito com acompanhamento. Veja canabidiol x risperidona.
O canabidiol acalma uma crise de autismo?
Não na hora. O canabidiol não é um remédio de resgate, para dar durante a crise. O que os estudos mostram é que, com o uso contínuo, as crises tendem a ficar menos frequentes e menos intensas. Durante uma crise, vale o que a família e a equipe já combinaram: reduzir estímulos, garantir a segurança e seguir o plano de manejo. Se a crise traz risco para a pessoa ou para quem está perto, procure atendimento médico.
Um diário ajuda muito a avaliar o tratamento, principalmente quando a criança fala pouco: anote quantas crises houve, quanto duraram, como foi o sono e o que mudou no dia. É com esse registro que o médico decide se a dose está boa.
E quando há epilepsia junto?
Uma parte das pessoas com autismo também tem epilepsia. Nesse caso, o canabidiol tem uma vantagem: é um dos tratamentos com melhor evidência para algumas epilepsias de difícil controle. O mesmo tratamento pode ajudar nas crises epilépticas e no comportamento. Atenção às interações: o CBD aumenta o nível de alguns antiepilépticos, como o clobazam, e o médico pode precisar ajustar a dose deles.
Qual a dose para autismo nível 2 e 3?
Não existe uma dose padrão. A dose é individual: o médico começa baixo e aumenta aos poucos. Nos estudos com crianças com TEA, a dose de manutenção variou bastante, e nos quadros mais graves costuma ser preciso subir mais devagar e observar mais. A conta de quantas gotas isso dá em cada óleo está em canabidiol e autismo: quantas gotas.
Quais efeitos colaterais observar?
Os mais comuns são sonolência e mudança de apetite, em geral leves. No ensaio com placebo, a sonolência apareceu em 28% das crianças com o extrato, contra 8% no placebo (Aran, 2021). O canabidiol pode dar sono, mas na minoria das pessoas. É mais comum no começo do tratamento, quando a dose sobe, em produtos com THC e junto com remédios que já dão sono. Se incomodar, o médico ajusta o horário, a dose ou o produto. Veja canabidiol dá sono?
Na escolha do produto, o médico também segue a regra da Anvisa: produtos com mais de 0,2% de THC são contraindicados para menores de 18 anos.
Nos níveis 2 e 3, muitas crianças não conseguem dizer o que sentem. Por isso, avise o médico de qualquer mudança, como mais agitação, mais irritabilidade, piora da ansiedade, recusa alimentar ou sonolência fora do comum. A lista completa está em efeitos colaterais do canabidiol no autismo.
Como começar?
O caminho tem quatro passos: consulta com um médico que prescreve cannabis medicinal, de preferência com experiência em autismo; receita, com o produto e o plano de ajuste; acesso ao produto, pela farmácia ou por importação autorizada pela Anvisa; e retornos para ajustar a dose. Na Fito Canábica, a consulta começa em R$ 180. Veja os médicos que prescrevem canabidiol para autismo, o acesso pelo SUS e quanto custa o tratamento.
Agende sua consulta com os médicos prescritores da Fito Canábica →
Perguntas frequentes
Canabidiol serve para autismo nível 3?
Pode ajudar, principalmente na agressividade, na autoagressão, nas crises e no sono. Foi em quadros graves, com problemas de comportamento, que os estudos encontraram os resultados mais fortes. O tratamento é ajustado pelo médico e não substitui as terapias.
Canabidiol serve para autismo nível 2?
Pode ajudar, com foco em irritabilidade, agitação, ansiedade e sono, e em parte das crianças na interação social. O estudo do Hospital Universitário de Brasília incluiu crianças com autismo moderado a grave.
O canabidiol pode substituir a risperidona no autismo severo?
Em alguns casos, o médico consegue reduzir a risperidona depois de associar o canabidiol, mas isso é feito aos poucos e com acompanhamento. Nunca troque um pelo outro por conta própria.
Qual a diferença entre autismo nível 1, 2 e 3?
Os níveis indicam quanto suporte a pessoa precisa: suporte no nível 1, suporte substancial no nível 2 e suporte muito substancial no nível 3. O nível pode mudar ao longo da vida.
Como saber se o canabidiol está funcionando numa criança que não fala?
Pelo comportamento. Um diário com a frequência e a duração das crises, o sono, o apetite e a interação ajuda a família e o médico a ver o que mudou ao longo das semanas.
Leia também
- Canabidiol para autismo: o que dizem os estudos e os médicos
- Canabidiol para autismo leve
- Canabidiol x risperidona no autismo
- Canabidiol e autismo não verbal
- Efeitos colaterais do canabidiol no autismo
Dr. Fabrício Pamplona é farmacologista e pesquisador brasileiro, Doutor em Psicofarmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria (Munique, Alemanha). Dedica-se há mais de 20 anos ao estudo do sistema endocanabinoide e ao desenvolvimento de terapias à base de Cannabis medicinal. Autor de mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais, é sócio da Fito Canábica e atua traduzindo a ciência da Cannabis para a prática clínica com linguagem acessível, responsabilidade e foco no paciente.
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Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal requer avaliação e prescrição de médico habilitado. Procure um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer tratamento.
Referências
- Aran A, Harel M, Cassuto H, et al. Cannabinoid treatment for autism: a proof-of-concept randomized trial. Molecular Autism. 2021;12:6. doi:10.1186/s13229-021-00420-2
- Mazza JAS, Ferreira LS, Martins-Vieira AF, et al. Clinical and Family Implications of Cannabidiol (CBD)-Dominant Full-Spectrum Phytocannabinoid Extract in Children and Adolescents with Moderate to Severe Non-Syndromic Autism Spectrum Disorder (ASD): An Observational Study on Neurobehavioral Management. Pharmaceuticals. 2024;17(6):686. doi:10.3390/ph17060686
- Aran A, Cassuto H, Lubotzky A, Wattad N, Hazan E. Brief Report: Cannabidiol-Rich Cannabis in Children with Autism Spectrum Disorder and Severe Behavioral Problems—A Retrospective Feasibility Study. Journal of Autism and Developmental Disorders. 2019;49(3):1284-1288. doi:10.1007/s10803-018-3808-2
- Barchel D, Stolar O, De-Haan T, et al. Oral Cannabidiol Use in Children With Autism Spectrum Disorder to Treat Related Symptoms and Co-morbidities. Frontiers in Pharmacology. 2019;9:1521. doi:10.3389/fphar.2018.01521
- Schnapp A, Harel M, Cayam-Rand D, et al. A Placebo-Controlled Trial of Cannabinoid Treatment for Disruptive Behavior in Children and Adolescents with Autism Spectrum Disorder: Effects on Sleep Parameters as Measured by the CSHQ. Biomedicines. 2022;10(7):1685. doi:10.3390/biomedicines10071685
- Riera R, et al. Therapeutic Use of Cannabis Derivatives and Their Analogs for Autism Spectrum Disorder: A Systematic Review. Journal of Clinical Pharmacology. 2025. doi:10.1002/jcph.70068
- Geffrey AL, Pollack SF, Bruno PL, Thiele EA. Drug-drug interaction between clobazam and cannabidiol in children with refractory epilepsy. Epilepsia. 2015;56(8):1246-1251. doi:10.1111/epi.13060
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 2022.
