fbpx

Canabidiol e Epilepsia: Guia Completo sobre Tratamento, Dose, Eficácia e Acesso

Receber um diagnóstico de epilepsia — especialmente quando se trata de uma criança com síndrome refratária como Dravet ou Lennox-Gastaut — coloca a família numa rotina exaustiva: crises imprevisíveis, internações, múltiplos medicamentos, efeitos colaterais difíceis e, ainda assim, convulsões que não cedem. Nesse cenário, o canabidiol (CBD) deixou de ser promessa e passou a ser uma ferramenta com evidência sólida, usada por neurologistas no Brasil e no mundo.

Este guia foi escrito para traduzir, de forma honesta, o que a ciência mostra sobre canabidiol e epilepsia: como ele age no cérebro, em quais quadros funciona melhor, qual a dose, quais as interações com anticonvulsivantes, quanto custa o tratamento e como conseguir acesso legal no Brasil. É um conteúdo educativo, baseado em estudos clínicos randomizados (NEJM, Lancet, JAMA Neurology) e na realidade do paciente brasileiro.

⚠️ Importante: O tratamento da epilepsia com canabidiol é sério e exige acompanhamento de neurologista experiente em Cannabis medicinal. Nunca interrompa anticonvulsivantes por conta própria nem inicie CBD sem prescrição. Agende uma consulta com os médicos prescritores da Fito Canábica →

A Resposta Direta: O canabidiol funciona para epilepsia?

Sim, o canabidiol funciona para epilepsia — especialmente nas formas refratárias e em síndromes específicas. É a indicação com a evidência científica mais robusta entre todos os usos médicos da Cannabis hoje.

O CBD é o único derivado da Cannabis com aprovação regulatória formal (FDA, EMA, ANVISA) para tratamento de epilepsia, na forma do medicamento Epidiolex (canabidiol purificado). A aprovação se baseia em ensaios clínicos randomizados duplo-cegos publicados em revistas de altíssimo impacto, que demonstraram redução significativa da frequência de crises em três contextos:

  • Síndrome de Dravet — encefalopatia epiléptica grave da infância, geralmente refratária a múltiplos medicamentos.
  • Síndrome de Lennox-Gastaut — epilepsia grave com crises de queda (drop seizures), comprometimento cognitivo e múltiplos tipos de crise.
  • Complexo Esclerose Tuberosa — doença genética com tumores benignos e epilepsia frequentemente refratária.

Fora dessas três indicações formais, há evidência de mundo real (programas de acesso expandido, estudos observacionais e prática clínica) mostrando benefício em outras epilepsias refratárias — focais, generalizadas, encefalopatias diversas — em adultos e crianças. Saiba mais sobre canabidiol em epilepsia refratária →

Pontos-chave em uma frase:
  • Eficácia comprovada por RCTs em Dravet, Lennox-Gastaut e Esclerose Tuberosa.
  • Reduções medianas de crises de 37% a 49% em estudos pivotais (Devinsky 2017, 2018; Thiele 2018, 2021).
  • É terapia add-on (associada aos anticonvulsivantes), não substituta.
  • Perfil de segurança favorável; principais cuidados são interações com clobazam e valproato.
  • No Brasil: acesso via importação (RDC 660), associações ou farmácias nacionais com receita.

O que é epilepsia e por que o CBD pode ajudar (mecanismo de ação)

Epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por predisposição persistente do cérebro a gerar crises epilépticas — descargas elétricas anormais e excessivas de grupos de neurônios. As crises podem ser focais (parte do cérebro), generalizadas (ambos os hemisférios), com ou sem perda de consciência, motoras ou não motoras (como crises de ausência).

Cerca de 30% dos pacientes com epilepsia são refratários — não respondem adequadamente a dois ou mais anticonvulsivantes em doses otimizadas. É nesse grupo que o canabidiol mais se destaca.

Como o canabidiol atua no cérebro epiléptico

Diferente do THC, o canabidiol não age principalmente nos receptores CB1 e CB2 do sistema endocanabinoide. Sua ação anticonvulsivante envolve múltiplos alvos moleculares, e essa atuação multi-alvo provavelmente explica por que ele funciona em quadros que outros medicamentos com mecanismo único não controlam.

  • Receptor GPR55: o CBD antagoniza esse receptor, reduzindo excitabilidade neuronal no hipocampo.
  • Canais de cálcio T-type: bloqueio modulatório que estabiliza a membrana neuronal.
  • Receptor de adenosina (recaptação): o CBD inibe o transportador ENT1, aumentando adenosina extracelular — um neuromodulador inibitório natural.
  • Receptor 5-HT1A (serotoninérgico): contribui para efeito ansiolítico e modulação de circuitos límbicos.
  • TRPV1 e modulação de inflamação neuronal: reduz neuroinflamação, fator relevante em encefalopatias epilépticas.
“O canabidiol não é um anticonvulsivante ‘a mais’ — é uma molécula com mecanismo de ação completamente diferente do clobazam, valproato ou topiramato. É justamente essa originalidade farmacológica que explica por que ele consegue reduzir crises em pacientes que já tentaram quatro, cinco, seis medicamentos sem sucesso.”
— Dr. Fabrício Pamplona

O que dizem os estudos científicos: Dravet, Lennox-Gastaut e Esclerose Tuberosa

A evidência clínica do CBD em epilepsia é robusta — talvez a mais robusta de toda a medicina canabinoide hoje. Os principais ensaios pivotais (programa GWPCARE) levaram à aprovação do Epidiolex pelo FDA em 2018 e pela ANVISA logo depois.

Síndrome de Dravet (Devinsky et al., 2017 — NEJM)

Trial of Cannabidiol for Drug-Resistant Seizures in the Dravet Syndrome
New England Journal of Medicine, 2017. RCT duplo-cego, N=120 crianças e jovens.
  • Frequência mediana de crises convulsivas caiu de 12,4 para 5,9 crises/mês com CBD.
  • No grupo placebo: 14,9 → 14,1 (sem mudança relevante).
  • 5% dos pacientes ficaram completamente livres de crises com CBD vs 0% no placebo.
  • Dose: 20 mg/kg/dia (CBD purificado).

Síndrome de Lennox-Gastaut (Thiele et al., 2018 — Lancet; Devinsky et al., 2018 — NEJM)

GWPCARE3 e GWPCARE4 — dois RCTs convergentes
The Lancet, 2018 (N=171) e NEJM, 2018 (N=225).
  • Redução mediana de crises de queda (drop seizures) entre 41,9% e 43,9% com CBD 20 mg/kg/dia, vs 17–22% no placebo.
  • Dose de 10 mg/kg/dia também foi eficaz (37,2% de redução).
  • Crises de queda são as mais perigosas dessa síndrome (risco de trauma craniano), o que torna a redução clinicamente muito relevante.

Complexo Esclerose Tuberosa (Thiele et al., 2021 — JAMA Neurology)

Add-on Cannabidiol Treatment for Drug-Resistant Seizures in Tuberous Sclerosis Complex
JAMA Neurology, 2021. RCT, N=224.
  • Redução mediana de crises: 48,6% com CBD 25 mg/kg/dia, 47,5% com 50 mg/kg/dia, vs 26,5% no placebo.
  • Levou à terceira aprovação formal do CBD em epilepsia (após Dravet e Lennox).

Epilepsias refratárias em geral (Szaflarski et al., 2018 — Epilepsia)

Long-term safety and treatment effects of cannabidiol in children and adults with treatment-resistant epilepsies
Epilepsia, 2018. Programa de acesso expandido, N=607 pacientes (crianças e adultos).
  • Redução média de 51% na frequência de crises após 12 semanas.
  • Benefício sustentado até 96 semanas (quase 2 anos).
  • Boa tolerabilidade a longo prazo, sem perda significativa de eficácia.

Esse último estudo é importante porque inclui pacientes com epilepsias fora das três indicações formais — mostrando que o benefício se estende a outras formas refratárias. Veja o detalhamento sobre Dravet e Lennox-Gastaut →

E em crises de ausência e epilepsias focais comuns?

A evidência formal por RCT é limitada nesses cenários, mas a prática clínica e estudos observacionais mostram benefício em parte dos pacientes refratários, sempre como terapia adjuvante. Leia mais sobre canabidiol e crise de ausência →

Dose de canabidiol na epilepsia: das doses dos estudos para a prescrição em gotas

Nota importante sobre dose: Diferente da maioria dos usos do CBD (ansiedade, dor, autismo), em epilepsia pediátrica refratária os protocolos clínicos ainda raciocinam em mg/kg/dia. Isso acontece porque (1) os estudos pivotais foram desenhados assim, (2) o peso varia muito entre crianças, e (3) as doses-alvo são significativamente maiores do que em outras condições. Mesmo assim, a prescrição que chega à família é sempre em gotas e mg totais — o neurologista faz a conversão internamente.

Faixas de referência usadas em epilepsia

  • Início (titulação): 50–100 mg/dia para uma criança de 20 kg, divididos em 2 tomadas (o médico calcula com base no peso da criança).
  • Dose-alvo padrão (Dravet, Lennox): 200–400 mg/dia para uma criança de 20 kg (ajustada pelo médico conforme peso e resposta clínica).
  • Esclerose Tuberosa: doses médias de 500 mg/dia para uma criança de 20 kg, podendo ser maiores em casos selecionados (definida pelo neurologista).
  • Adultos com epilepsia refratária: doses totais frequentemente entre 200–600 mg/dia, ajustadas conforme resposta e tolerância.

Conversão prática: do mg/kg para mg totais e gotas

Considerando um produto Full Spectrum 200 mg/mL (ex.: frasco 6000 mg/30 mL), 1 mL = 200 mg = 45 gotas, ou seja 1 gota ≈ 4,4 mg.

Peso da criançaDose-alvomg totais/diaGotas/dia (200 mg/mL)
15 kg10 mg/kg/dia150 mg~34 gotas (17+17)
20 kg10 mg/kg/dia200 mg~45 gotas (22+23)
25 kg15 mg/kg/dia375 mg~85 gotas (42+43)
30 kg20 mg/kg/dia600 mg~136 gotas (68+68)

Essas são doses-alvo, alcançadas com titulação progressiva ao longo de semanas. Iniciar em dose alta gera efeitos colaterais desnecessários e dificulta a adesão. Veja o guia completo de dose para epilepsia → e quantas gotas de CBD por dia para epilepsia →

“Em epilepsia, errar a dose para baixo é tão problemático quanto errar para cima. Subdosagem por receio de efeitos colaterais é uma das principais causas de fracasso terapêutico — o paciente toma CBD por meses, não vê redução de crises e desiste, sem nunca ter chegado à dose efetiva. Por isso a titulação precisa ser feita por um neurologista que conheça o protocolo.”
— Dr. Fabrício Pamplona

Interações com anticonvulsivantes (clobazam, valproato, topiramato)

O CBD interage com várias enzimas hepáticas (CYP2C19, CYP3A4, UGT1A9, UGT2B7), e isso é especialmente relevante na epilepsia, porque a maioria dos pacientes já está em uso de um ou mais anticonvulsivantes. Essas interações são manejáveis — não são contraindicação — mas exigem monitoramento.

Clobazam (Frisium, Urbanil) — a interação mais importante

O CBD inibe a enzima CYP2C19, que metaboliza o clobazam. Resultado: aumento dos níveis de N-desmetilclobazam (metabólito ativo) em até 3–5 vezes (Gaston et al., 2017 — Epilepsia). Isso pode causar sonolência excessiva, sedação e até confusão.

Na prática, neurologistas experientes reduzem a dose de clobazam (frequentemente em 25–50%) quando introduzem CBD. Não significa que CBD e clobazam não combinam — pelo contrário, parte da eficácia do CBD em alguns estudos pode ter relação com essa potencialização. Mas o ajuste é obrigatório. Saiba mais sobre interação CBD + clobazam/valproato →

Valproato (Depakene, Depakote)

A combinação CBD + valproato pode aumentar o risco de elevação das transaminases hepáticas (TGO, TGP). Não é hepatotoxicidade clínica franca, mas exige controle laboratorial periódico (a cada 1–3 meses no início, depois a cada 6 meses). Em geral é manejável; raramente exige suspensão.

Topiramato, levetiracetam, lamotrigina

Interações farmacocinéticas existem, mas são menos clinicamente impactantes. Levetiracetam (Keppra) tem perfil mais “limpo” de interação. Lamotrigina pode ter ajuste leve. Topiramato geralmente convive bem com o CBD.

Resumo prático: a combinação CBD + anticonvulsivantes não é perigosa quando bem conduzida. O risco está em (1) iniciar sem ajuste de clobazam, (2) não monitorar enzimas hepáticas em quem usa valproato, e (3) acreditar que o CBD substitui o anticonvulsivante e parar abruptamente o medicamento original. Leia o guia completo de interações →

O CBD substitui anticonvulsivantes?

Em geral, não. O CBD em epilepsia é uma terapia add-on (associada). Em alguns casos selecionados, com controle excelente e estabilidade prolongada, o neurologista pode tentar reduzir um dos anticonvulsivantes — mas isso é decisão clínica individualizada, nunca decisão da família. Veja se o canabidiol pode substituir anticonvulsivantes →

Tempo até ver resultados e segurança a longo prazo

Cronograma realista

Não existe cronologia precisa estabelecida na literatura, mas os ensaios clínicos e a prática clínica indicam o seguinte padrão:

  • Semanas 1–4 (titulação inicial): dose ainda baixa, geralmente sem mudança nas crises. Foco é tolerância (sonolência, apetite, intestino).
  • Semanas 4–8: dose se aproxima da terapêutica. Famílias começam a notar redução de crises ou crises menos intensas.
  • Semanas 8–12: resposta clínica fica clara. Se houve redução significativa, mantém-se a dose. Se não, ajusta-se para cima.
  • Meses 3–6: avaliação consolidada. Estudos mostram que a resposta tende a se manter estável.
  • Anos 1–2: Szaflarski (2018) mostrou benefício sustentado por até 96 semanas, sem desenvolvimento significativo de tolerância.

Veja em detalhe o tempo até a redução de crises →

Segurança e efeitos colaterais

O CBD tem perfil de segurança favorável, conforme reconhecido pela OMS no Critical Review Report de 2018: bem tolerado, sem potencial de dependência, sem morte por overdose documentada na literatura mundial. Os principais efeitos colaterais nos estudos pivotais foram:

  • Sonolência (especialmente com clobazam — daí o ajuste)
  • Diarreia em doses altas
  • Diminuição de apetite
  • Elevação transitória de enzimas hepáticas (5–20% dos pacientes em alguns estudos, geralmente leve e reversível)

Esses efeitos costumam ser dose-dependentes e reversíveis com ajuste. Comparado a perfis de risco de outros anticonvulsivantes — como sedação severa de fenobarbital, ganho de peso e tremor de valproato, ou efeitos cognitivos de topiramato — o CBD tem perfil bem mais favorável. Saiba mais sobre segurança do CBD em crianças →

Cuidado com interrupção abrupta: em pacientes que respondem bem, suspender o CBD de uma vez pode levar a retorno ou intensificação das crises (efeito rebote), da mesma forma que ocorre com qualquer anticonvulsivante. A redução, quando indicada, deve ser gradual e supervisionada. Leia sobre risco de rebote →

Caminhos de acesso: importação, associações, farmácias e SUS

No Brasil, há quatro caminhos principais para acessar canabidiol legalmente para epilepsia. Cada um tem prós e contras.

1. Importação via RDC 660 (autorização ANVISA)

O paciente, com receita médica e laudo, solicita autorização à ANVISA (gratuita, online) e importa o produto diretamente de empresas internacionais. É o caminho com melhor custo-benefício para a maioria das famílias: produtos Full Spectrum de qualidade, com 2–5x menos custo que equivalentes nacionais.

Marcas usadas com frequência por neurologistas: Cannaviva, Canna River, cbdMD, Lazarus Naturals.

2. Associações de pacientes

Associações como ASPAEC, Abrace e Santa Cannabis fornecem óleo Full Spectrum mediante taxa associativa (frequentemente entre R$ 30 e R$ 200/mês), com retaguarda jurídica e médica. É um caminho importante, especialmente para famílias de baixa renda.

3. Farmácias nacionais

Produtos brasileiros como os da Prati-Donaduzzi, GreenCare e Mantecorp estão disponíveis em farmácias com receita médica. Vantagem: agilidade, sem espera de importação. Desvantagem: preço significativamente mais alto (um Prati-Donaduzzi 6000 mg pode ultrapassar R$ 2.300).

4. SUS e Epidiolex

O SUS ainda não fornece canabidiol de forma ampla. Há discussões na CONITEC e tramitação do PL 2041, mas até o momento o acesso pelo SUS é limitado a via judicial em casos refratários documentados, geralmente para Epidiolex (canabidiol farmacêutico). Veja como funciona o canabidiol pelo SUS para epilepsia →

Custo mensal do tratamento — ordem de grandeza

Considerando uma criança de 20 kg em dose-alvo de 10 mg/kg/dia (200 mg/dia = 6.000 mg/mês):

CaminhoProduto referênciaCusto mensal estimado
Importação (RDC 660)Full Spectrum 6000 mg/30 mL~R$ 350–390/mês
AssociaçãoÓleo Full Spectrum (taxa)~R$ 30–200/mês
Farmácia nacionalPrati-Donaduzzi 6000 mg~R$ 2.000–2.400/mês
Epidiolex (importado)CBD purificado farmacêuticoR$ 4.000+/mês

Em adultos com epilepsia refratária, doses maiores (300–600 mg/dia) podem dobrar o custo mensal. Veja a análise completa de preço → e o custo mensal real do tratamento →

Marcas usadas como referência (importadas)

Existem muitos medicamentos à base de Cannabis medicinal disponíveis no mercado. Os produtos citados neste artigo são mencionados como parâmetro ilustrativo de composição e faixa de preço — não constituem recomendação de compra. A escolha do medicamento, da dose e da via de acesso é sempre definida pelo médico prescritor com base no quadro clínico individual do paciente.

MarcaProdutoVolumePreço
CannavivaFull Spectrum CBD 6000 mg30 mLR$ 350
cbdMDFull Spectrum CBD 6000 mg30 mLR$ 377
Canna RiverFull Spectrum Classic 6000 mg60 mLR$ 390
Canna RiverFull Spectrum Classic 1500 mg15 mLR$ 104
Lazarus NaturalsFull Spectrum CBD 1500 mg30 mLR$ 156

As opções citadas servem para comparar composição e custo; o medicamento adequado — inclusive quando a resposta clínica exige outro perfil de canabinoides ou ajuste de espectro — é definido pelo médico com base no quadro do paciente, na evolução das crises e no perfil de interações com os anticonvulsivantes em uso.

Epidiolex vs Full Spectrum — qual escolher?

Epidiolex é o CBD purificado farmacêutico aprovado por agências regulatórias. Full Spectrum é óleo com perfil mais amplo (CBD + THC ≤0,3% + outros canabinoides + terpenos). Ambos funcionam em epilepsia; estudos sugerem que o efeito entourage do Full Spectrum pode permitir doses menores em alguns pacientes. A escolha depende de disponibilidade, custo, perfil do paciente e preferência do médico. Compare Epidiolex vs Full Spectrum em detalhe → e veja Full Spectrum vs isolado para epilepsia →

Perguntas Frequentes

Quem tem epilepsia pode usar canabidiol?

Sim. Não há contraindicação absoluta. O canabidiol é especialmente indicado para epilepsias refratárias (Dravet, Lennox-Gastaut, Esclerose Tuberosa, focais e generalizadas que não respondem a 2+ anticonvulsivantes). A indicação e a dose são sempre feitas por neurologista com experiência em Cannabis medicinal.

Qual a dosagem de CBD para epilepsia?

Em epilepsia pediátrica refratária, doses-alvo costumam ficar entre 10 e 25 mg/kg/dia, alcançadas por titulação gradual ao longo de semanas. Em adultos, doses totais frequentemente ficam entre 200 e 600 mg/dia. A dose final depende do peso, do tipo de epilepsia, da resposta clínica e das interações com outros anticonvulsivantes.

Canabidiol funciona para epilepsia refratária?

Sim. Em estudo com 607 pacientes (Szaflarski 2018), houve redução média de 51% nas crises após 12 semanas, com benefício sustentado por até 96 semanas. RCTs em Dravet, Lennox-Gastaut e Esclerose Tuberosa também demonstraram eficácia significativa em quadros refratários.

Quantas gotas de CBD por dia para epilepsia?

Depende do peso, da concentração do óleo e da dose-alvo. Num produto 200 mg/mL (típico de Full Spectrum 6000 mg/30 mL), 1 gota equivale a ~4,4 mg. Uma criança de 20 kg em 10 mg/kg/dia precisaria de ~45 gotas/dia, divididas em duas tomadas. O médico faz a conversão exata.

Em quanto tempo o canabidiol começa a reduzir as crises?

A maioria das famílias começa a notar redução das crises entre 4 e 8 semanas, depois que a dose se aproxima da terapêutica. A avaliação consolidada da resposta costuma ser feita em torno de 3 meses. Algumas famílias relatam mudanças mais rápidas, outras precisam de mais tempo de titulação.

Canabidiol substitui anticonvulsivantes?

Em geral, não. O CBD em epilepsia é terapia add-on (adjuvante). Em casos selecionados, com controle excelente e estabilidade prolongada, o neurologista pode tentar reduzir gradualmente um dos anticonvulsivantes — mas isso é decisão clínica individual. Nunca interrompa um anticonvulsivante por conta própria.

CBD pode interagir com clobazam e valproato?

Sim. CBD eleva os níveis de N-desmetilclobazam (metabólito ativo), o que pode exigir redução do clobazam. Com valproato, há risco de elevação de enzimas hepáticas, exigindo controle laboratorial periódico. Essas interações são manejáveis com acompanhamento médico — não são contraindicação.

Canabidiol serve para Síndrome de Dravet e Lennox-Gastaut?

Sim, são as duas indicações com a maior evidência científica. O Epidiolex (CBD purificado) é aprovado pelo FDA, EMA e ANVISA para essas duas síndromes (e também para Esclerose Tuberosa). RCTs mostraram redução mediana de crises de 39% a 49%.

É possível conseguir canabidiol pelo SUS para epilepsia?

O SUS ainda não fornece canabidiol de forma ampla. Discussões na CONITEC e o PL 2041 caminham nessa direção, mas até o momento o acesso pelo SUS é limitado, geralmente via judicial em casos refratários documentados. As alternativas mais comuns são importação via RDC 660, associações de pacientes e farmácias.

Canabidiol para epilepsia em crianças é seguro?

Sim, com acompanhamento médico. Os estudos pivotais incluíram crianças e mostraram bom perfil de segurança. Os principais cuidados são monitorar enzimas hepáticas, ajustar clobazam quando associado e fazer titulação gradual. A OMS reconhece que o CBD não tem potencial de abuso ou dependência e não há morte por overdose documentada.

Canabidiol pode causar convulsão de rebote se interrompido?

Pode. Em pacientes que respondem bem, suspender o CBD abruptamente pode levar ao retorno ou intensificação das crises, semelhante ao que ocorre com qualquer anticonvulsivante. A redução, quando indicada, deve ser gradual e supervisionada pelo neurologista.

Qual o custo mensal do tratamento com canabidiol para epilepsia?

Para uma criança de 20 kg em dose-alvo de 10 mg/kg/dia, o custo mensal varia de ~R$ 30–200 (associações) a R$ 350–390 (importação RDC 660), R$ 2.000+ (farmácias nacionais) ou R$ 4.000+ (Epidiolex). A escolha do caminho é discutida com o médico considerando perfil clínico e financeiro.

Como a Fito Canábica apoia famílias de pacientes com epilepsia

O tratamento da epilepsia com canabidiol é um tratamento sério que requer atenção profissional especializada. O melhor caminho começa pela consulta com um médico qualificado em prescrição de Cannabis medicinal, preferencialmente com experiência em epilepsia e neurologia. O médico avalia o caso, define o produto e a dose-alvo, ajusta os anticonvulsivantes que o paciente já usa, emite a receita e orienta a importação ou aquisição. Depois disso, o paciente faz a aquisição do medicamento e inicia o tratamento conforme orientação médica, com retornos periódicos para titulação e monitoramento.

Existem caminhos que facilitam essa jornada: a Fito Canábica conecta pacientes a médicos prescritores qualificados, com consulta a partir de R$ 180. A equipe inclui profissionais como Victoria Taveira, Clara Calabrich, Diego Araldi e Nathalie Vestarp, médicos com experiência em Cannabis medicinal. Além da consulta, oferecemos:

  • Orientação completa sobre autorização ANVISA (RDC 660) e importação;
  • Acompanhamento farmacêutico durante a titulação;
  • Suporte por WhatsApp para dúvidas no tratamento;
  • Consultas de retorno periódicas para ajuste de dose e monitoramento de interações.

Agende sua consulta com os médicos prescritores da Fito Canábica →

Leia também

Sobre o autor
Dr. Fabrício Pamplona é farmacologista e pesquisador brasileiro, Doutor em Psicofarmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria (Munique, Alemanha). Dedica-se há mais de 20 anos ao estudo do sistema endocanabinoide e ao desenvolvimento de terapias à base de Cannabis medicinal. Autor de mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais, é sócio da Fito Canábica e atua traduzindo a ciência da Cannabis para a prática clínica com linguagem acessível, responsabilidade e foco no paciente.

Publicado em:  ·  Atualizado em:

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal requer avaliação e prescrição de médico habilitado. Procure um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer tratamento — especialmente em epilepsia, onde o ajuste de doses e interações com anticonvulsivantes é crítico.

Referências científicas

  1. Devinsky O, Cross JH, Laux L, et al. Trial of Cannabidiol for Drug-Resistant Seizures in the Dravet Syndrome. New England Journal of Medicine. 2017;376(21):2011-2020. DOI: 10.1056/NEJMoa1611618. PMID: 28538134.
  2. Devinsky O, Patel AD, Cross JH, et al. Effect of Cannabidiol on Drop Seizures in the Lennox-Gastaut Syndrome. New England Journal of Medicine. 2018;378(20):1888-1897. DOI: 10.1056/NEJMoa1714631. PMID: 29768152.
  3. Thiele EA, Marsh ED, French JA, et al. Cannabidiol in patients with seizures associated with Lennox-Gastaut syndrome (GWPCARE4): a randomised, double-blind, placebo-controlled phase 3 trial. The Lancet. 2018;391(10125):1085-1096. DOI: 10.1016/S0140-6736(18)30136-3. PMID: 29395273.
  4. Thiele EA, Bebin EM, Bhathal H, et al. Add-on Cannabidiol Treatment for Drug-Resistant Seizures in Tuberous Sclerosis Complex: A Placebo-Controlled Randomized Clinical Trial. JAMA Neurology. 2021;78(3):285-292. DOI: 10.1001/jamaneurol.2020.4607. PMID: 33346789.
  5. Szaflarski JP, Bebin EM, Comi AM, et al. Long-term safety and treatment effects of cannabidiol in children and adults with treatment-resistant epilepsies: Expanded access program results. Epilepsia. 2018;59(8):1540-1548. DOI: 10.1111/epi.14477. PMID: 29998598.
  6. Gaston TE, Bebin EM, Cutter GR, Liu Y, Szaflarski JP. Interactions between cannabidiol and commonly used antiepileptic drugs. Epilepsia. 2017;58(9):1586-1592. DOI: 10.1111/epi.13852. PMID: 28782097.
  7. World Health Organization. Cannabidiol (CBD) Critical Review Report. WHO Expert Committee on Drug Dependence — 40th ECDD Meeting. Geneva: WHO; 2018.
plugins premium WordPress
Rolar para cima