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CBD Ajuda nas Crises e Cólicas da Doença de Crohn?

Quem convive com a doença de Crohn sabe que as crises não são apenas episódios de dor abdominal. São cólicas que travam o dia, urgência para o banheiro, perda de apetite, noites mal dormidas e uma exaustão que afeta trabalho, estudos e vida familiar. Nesses momentos, muitos pacientes pesquisam se o canabidiol (CBD) pode oferecer algum alívio — e a resposta, à luz da ciência atual, precisa ser dada com honestidade e nuances.

⚠️ Este conteúdo é educativo. O tratamento da doença de Crohn é sério, exige acompanhamento de gastroenterologista e, quando indicado, prescrição de Cannabis medicinal por médico habilitado. Não interrompa imunossupressores, biológicos ou corticoides por conta própria.

Agende sua consulta com os médicos prescritores da Fito Canábica →

A Resposta Direta: o CBD ajuda nas crises e cólicas do Crohn?

Sim, há evidência de que canabinoides — em especial formulações com CBD e THC combinados — podem aliviar sintomas de crise da doença de Crohn, principalmente dor abdominal, cólicas, urgência, perda de apetite e distúrbio de sono. Os estudos clínicos mostram melhora consistente em escores de atividade da doença (CDAI) e em qualidade de vida durante o tratamento.

Por outro lado, a evidência é mais cautelosa quanto a “curar” a inflamação intestinal visível na colonoscopia. Os ensaios mais bem desenhados mostraram melhora clínica importante sem mudança endoscópica significativa — ou seja, o paciente se sente muito melhor, mas a inflamação na parede intestinal ainda pode estar presente.

Em resumo:
  • ✅ CBD/cannabis medicinal tem ação sintomática robusta sobre dor visceral, cólicas, apetite e sono em crises de Crohn
  • ✅ Reduz o escore CDAI (atividade da doença) em estudos controlados
  • ⚠️ Não substitui o tratamento de base (imunossupressores, biológicos) — atua em complemento
  • ⚠️ Em crise grave, a decisão de iniciar e a formulação ideal (CBD isolado, Full Spectrum com mais ou menos THC) precisam ser definidas pelo médico
  • ⚠️ A maioria dos estudos positivos usou cannabis com THC, não CBD isolado — esse detalhe importa

Por que o CBD pode aliviar cólicas e dor visceral no Crohn

O intestino humano abriga uma das maiores concentrações de receptores do sistema endocanabinoide do corpo. Receptores CB1 e CB2 estão presentes em neurônios entéricos, células imunes da mucosa, músculo liso e células epiteliais. Esse sistema regula motilidade, percepção de dor visceral, inflamação e a permeabilidade da barreira intestinal — todos pontos críticos na fisiopatologia do Crohn.

“Quando há uma crise de Crohn, o intestino fica hipersensível: cada movimento peristáltico pode ser percebido como cólica intensa. O CBD atua modulando essa dor visceral por mecanismos indiretos — incluindo ação sobre receptores TRPV1, 5-HT1A e o próprio tônus endocanabinoide. O THC, por sua vez, age diretamente no CB1 e tem efeito antiespasmódico mais marcante. Por isso, em crises com cólica intensa, frequentemente o médico avalia uma formulação Full Spectrum com participação relevante de THC.”
— Dr. Fabrício Pamplona, farmacologista

Estudo translacional de Couch e colaboradores (2019), publicado em Inflammatory Bowel Diseases, demonstrou que o CBD preveniu a hiperpermeabilidade intestinal induzida por inflamação em tecido humano ex vivo e in vivo. Esse achado é relevante porque o “intestino permeável” é uma característica central do Crohn — e proteger a barreira intestinal pode reduzir a perpetuação da inflamação.

A revisão de Ambrose & Simmons (2019), em Journal of Crohn’s and Colitis, sintetiza: o sistema endocanabinoide modula motilidade, inflamação, dor visceral e permeabilidade no trato gastrointestinal — todos eixos atacados em uma crise de Crohn.

O que dizem os estudos sobre Crohn ativo e cannabis medicinal

Naftali et al. (2013) — Clinical Gastroenterology and Hepatology
Ensaio clínico randomizado controlado por placebo (RCT) com 21 pacientes com Crohn ativo refratário a tratamentos convencionais. Cannabis rica em THC (115mg de THC/dia) por 8 semanas produziu resposta clínica em 10 dos 11 pacientes do grupo ativo, contra 4 de 10 no placebo. 5 pacientes atingiram remissão clínica completa (CDAI <150). Houve melhora em apetite e sono, sem efeitos colaterais graves.
Naftali et al. (2021) — PLoS ONE
RCT com 56 pacientes, 8 semanas. Óleo de cannabis (CBD 4% + THC 15%) reduziu o CDAI em 220 pontos versus 40 pontos no placebo — diferença clínica robusta. Porém, não houve mudança endoscópica significativa, indicando que o efeito predominante foi sintomático.
Naftali et al. (2011) — Israel Medical Association Journal
Estudo observacional com 30 pacientes com Crohn. 21 melhoraram significativamente após uso de cannabis, com redução do consumo de outros medicamentos e melhora em qualidade de vida.
Kafil et al. (2018) — Cochrane Database of Systematic Reviews
Revisão sistemática Cochrane (3 RCTs, N=93). Concluiu que a cannabis pode melhorar sintomas e qualidade de vida em Crohn ativo, mas a evidência ainda é insuficiente para conclusões sobre remissão clínica sustentada ou endoscópica. Recomenda estudos maiores.

Um detalhe que merece transparência: quase todos os RCTs positivos em Crohn usaram cannabis com teor relevante de THC, não CBD isolado. Para colite ulcerativa, o ensaio de Irving et al. (2018) com extrato rico em CBD não atingiu remissão como desfecho primário, embora tenha melhorado qualidade de vida subjetiva. Isso reforça que, no contexto inflamatório intestinal, o Full Spectrum tende a ter papel mais relevante do que o isolado.

Aplicação prática: crise ativa vs. remissão

A decisão de iniciar Cannabis medicinal — e em qual formulação — depende fortemente do momento da doença:

MomentoObjetivo do CBD/cannabis medicinalConsiderações típicas
Crise leve a moderadaAlívio sintomático (cólica, dor, sono, apetite) em complemento ao tratamento de baseMédico pode considerar Full Spectrum com participação de THC para efeito antiespasmódico
Crise grave / hospitalarNão é o momento de “trocar” tratamento — manter corticoide/biológico e discutir cannabis depoisDecisão sempre médica, em ambiente especializado
Remissão / manutençãoSustentar controle de sintomas residuais, ansiedade, sono, dor de baixa intensidadeDoses costumam ser menores; CBD predominante pode bastar

Sobre dose: a literatura científica e a prática clínica não fixam uma “dose única” de CBD para Crohn. O que se observa é que, em crises, doses na faixa de manutenção e até de quadros mais severos (entre 40 e 200 mg/dia de CBD totais, frequentemente com participação de THC) podem ser consideradas pelo médico — sempre com titulação progressiva. Para entender o passo a passo da titulação e cálculo de gotas, vale conferir o guia completo sobre canabidiol e doença de Crohn.

⚠️ O canabidiol não substitui imunossupressores ou biológicos. Azatioprina, metotrexato, infliximabe, adalimumabe e similares atuam controlando a inflamação imunomediada que está na raiz do Crohn. O CBD complementa o controle de sintomas — não substitui a estratégia de fundo da doença. Se você usa corticoide e busca reduzi-lo, leia também canabidiol vs corticoides na doença de Crohn.

Produtos citados em conteúdo educativo — referência, não recomendação

Existem muitos medicamentos à base de Cannabis medicinal disponíveis no mercado. Os produtos abaixo são citados como parâmetro ilustrativo de composição e faixa de preço — não constituem recomendação de compra. A escolha do medicamento, da dose e da via de acesso é sempre definida pelo médico prescritor com base no quadro clínico individual do paciente.

Marca / ProdutoComposiçãoVolumePreço aprox.
Cannaviva Full SpectrumCBD 6000mg30mLR$ 350
cbdMD Full SpectrumCBD 6000mg30mLR$ 377
Canna River ClassicCBD 6000mg60mLR$ 390
Canna River PainCBD 5000mg + CBG 2500mg60mLR$ 338
Cannaviva CBD+THCCBD 600mg + THC 600mg30mLR$ 450
ASPAEC (associação)Full Spectrum~R$ 30

As opções citadas servem para comparar composição e custo; o medicamento adequado — inclusive quando a resposta clínica exige outro perfil de canabinoides ou maior proporção de THC, como sugerido pelos estudos de Naftali em Crohn ativo — é definido pelo médico com base na sua condição, titulação e evolução.

Produtos com THC acima de 0,3% (como o Cannaviva CBD+THC) exigem receita médica específica e autorização da ANVISA para importação. Esse caminho é orientado pelo médico prescritor.

Perguntas Frequentes

O CBD funciona durante uma crise de Crohn ou só na manutenção?

Os estudos clínicos randomizados (Naftali 2013, 2021) avaliaram pacientes em Crohn ativo e mostraram resposta sintomática significativa em 8 semanas, com redução do CDAI e melhora em apetite e sono. Ou seja, há evidência de benefício durante a crise — mas como complemento ao tratamento de base, não como substituto.

O CBD alivia cólica intestinal?

Sim, por modulação da dor visceral via sistema endocanabinoide e mecanismos relacionados (TRPV1, 5-HT1A). Vale destacar que o efeito antiespasmódico mais marcante nos estudos veio de formulações com THC — não do CBD isolado. Em muitos casos, o médico avalia um Full Spectrum com participação relevante de THC.

Quanto tempo o CBD leva para fazer efeito na crise?

Não há cronologia precisa estabelecida na literatura. Os RCTs de Naftali avaliaram desfechos em 8 semanas. Na prática, alguns pacientes relatam melhora em cólica e sono nas primeiras semanas; a resposta mais robusta tende a aparecer ao longo de 4 a 12 semanas, com a titulação ajustada pelo médico.

Posso usar CBD junto com corticoide, azatioprina ou infliximabe?

Em geral, sim — desde que com supervisão médica. O CBD pode interagir com a metabolização hepática (citocromo P450) de alguns medicamentos, então o gastroenterologista e o médico prescritor de cannabis precisam avaliar dose e monitoramento. Não suspenda imunossupressor ou biológico por conta própria.

O CBD cura a doença de Crohn?

Não. A doença de Crohn é crônica e, até hoje, nenhum tratamento (cannabis medicinal, biológicos ou cirurgia) oferece “cura” definitiva. O que existe é controle de atividade e remissão sustentada. A cannabis medicinal atua principalmente no controle de sintomas e qualidade de vida.

CBD pode causar diarreia em quem tem Crohn?

Diarreia é um efeito colateral possível do CBD, principalmente em doses elevadas e na fase inicial de adaptação. Em paciente com Crohn, esse sintoma pode ser confundido com piora da doença. Por isso, a titulação deve ser cuidadosa e o médico deve ser informado sobre qualquer alteração nos sintomas intestinais.

É necessário usar Full Spectrum ou o CBD isolado serve?

Os RCTs positivos em Crohn ativo utilizaram cannabis com teor relevante de THC — não CBD isolado. Para colite ulcerativa, extrato rico em CBD isolado não atingiu remissão como desfecho. A tendência clínica em DII é o Full Spectrum, mas o perfil ideal (com mais ou menos THC) depende da resposta individual e da decisão médica.

Qual a diferença entre usar CBD em crise ativa e em remissão?

Em crise ativa, costuma-se trabalhar com doses maiores e formulações com participação de THC, focando alívio de cólica, dor e sono. Em remissão, o objetivo é manutenção do controle, ansiedade e sintomas extra-intestinais como artralgia e fadiga — geralmente com doses menores e perfil CBD predominante.

O CBD melhora apetite e ganho de peso em paciente com Crohn?

Os estudos de Naftali (2011, 2013) relataram melhora de apetite e sono em pacientes com Crohn ativo. Vale lembrar que o efeito estimulante de apetite é mais associado ao THC; em formulações Full Spectrum, esse efeito pode aparecer de forma branda.

Como conseguir receita de canabidiol para Crohn?

O caminho começa pela consulta com um médico prescritor qualificado em Cannabis medicinal, idealmente em comunicação com seu gastroenterologista. A Fito Canábica conta com médicos experientes — como Victoria Taveira, Clara Calabrich, Diego Araldi e Nathalie Vestarp — que avaliam o caso, definem produto e dose, emitem a receita e orientam o acesso (via ANVISA ou associação).

Como a Fito Canábica Apoia Pacientes com Crohn

  • Consulta online com médicos prescritores qualificados em Cannabis medicinal, a partir de R$ 180
  • Orientação completa sobre autorização ANVISA (RDC 660) e produtos via associações (RDC 327)
  • Indicação de medicamentos com bom custo-benefício, pensando na sustentabilidade do tratamento a longo prazo
  • Acompanhamento farmacêutico durante a titulação
  • Suporte por WhatsApp para dúvidas durante o tratamento
  • Consultas de retorno periódicas para ajuste fino

O tratamento com canabidiol é um tratamento sério que requer atenção profissional especializada. O melhor caminho começa pela consulta com um médico qualificado em prescrição de Cannabis medicinal, preferencialmente com experiência em doença de Crohn e doenças inflamatórias intestinais. O médico avalia o caso, define o produto e a dose-alvo, e emite a receita. Depois disso, o paciente faz a aquisição do medicamento e inicia o tratamento conforme orientação médica. Existem caminhos que facilitam essa jornada: a Fito Canábica conecta pacientes a médicos prescritores qualificados, com consulta a partir de R$ 180.

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Sobre o autor
Dr. Fabrício Pamplona é farmacologista e pesquisador brasileiro, Doutor em Psicofarmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria (Munique, Alemanha). Dedica-se há mais de 20 anos ao estudo do sistema endocanabinoide e ao desenvolvimento de terapias à base de Cannabis medicinal. Autor de mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais, é sócio da Fito Canábica e atua traduzindo a ciência da Cannabis para a prática clínica com linguagem acessível, responsabilidade e foco no paciente.

Publicado em:  ·  Atualizado em:

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal requer avaliação e prescrição de médico habilitado. Procure um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer tratamento.

Referências:

  1. Naftali T, Bar-Lev Schleider L, Dotan I, Lansky EP, Sklerovsky Benjaminov F, Konikoff FM. Cannabis induces a clinical response in patients with Crohn’s disease: a prospective placebo-controlled study. Clin Gastroenterol Hepatol. 2013. doi:10.1016/j.cgh.2013.04.034
  2. Naftali T, Bar-Lev Schleider L, Sklerovsky Benjaminov F, et al. Cannabis is associated with clinical but not endoscopic remission in patients with Crohn’s disease: A randomized controlled trial. PLoS ONE. 2021.
  3. Naftali T, Lev LB, Yablecovitch D, Half E, Konikoff FM. Treatment of Crohn’s disease with cannabis: an observational study. Isr Med Assoc J. 2011.
  4. Irving PM, Iqbal T, Nwokolo C, et al. A Randomized, Double-blind, Placebo-controlled, Parallel-group, Pilot Study of Cannabidiol-rich Botanical Extract in the Symptomatic Treatment of Ulcerative Colitis. Inflamm Bowel Dis. 2018.
  5. Couch DG, Cook H, Ortori C, Barrett D, Lund JN, O’Sullivan SE. Palmitoylethanolamide and Cannabidiol Prevent Inflammation-induced Hyperpermeability of the Human Gut In Vitro and In Vivo. Inflamm Bowel Dis. 2019.
  6. Ambrose T, Simmons A. Cannabis, Cannabinoids, and the Endocannabinoid System—Is there Therapeutic Potential for Inflammatory Bowel Disease? J Crohns Colitis. 2019.
  7. Kafil TS, Nguyen TM, MacDonald JK, Chande N. Cannabis for the treatment of Crohn’s disease. Cochrane Database Syst Rev. 2018.
  8. OMS. Critical Review Report: Cannabidiol (CBD). 2018.
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