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Existe Estudo Brasileiro Sobre Canabidiol e Doença de Crohn?

Quem convive com a doença de Crohn e considera incluir o canabidiol no tratamento costuma fazer uma pergunta direta: existe pesquisa brasileira sobre isso? A resposta honesta exige diferenciar dois cenários — o que a ciência internacional já testou em ensaios clínicos e o que o Brasil produziu até agora em pesquisa formal sobre Cannabis medicinal e doenças inflamatórias intestinais (DII).

⚠️ Importante: Este conteúdo é educativo. O uso de canabidiol em doença de Crohn exige avaliação médica especializada — especialmente quando o paciente já usa imunossupressores ou biológicos. Agende uma consulta com os médicos prescritores da Fito Canábica →

A Resposta Direta: existe estudo brasileiro sobre canabidiol e Crohn?

Até a publicação deste artigo, não há ensaio clínico randomizado brasileiro publicado especificamente sobre canabidiol e doença de Crohn. O Brasil tem produzido pesquisa crescente em Cannabis medicinal — incluindo trabalhos importantes em autismo, dor crônica, fibromialgia e epilepsia — mas a área de doenças inflamatórias intestinais (DII) ainda é uma lacuna na produção científica nacional.

A literatura disponível sobre cannabis e Crohn vem majoritariamente de Israel, Estados Unidos e Reino Unido. Os principais estudos são:

  • Naftali et al. (2013) — RCT israelense pioneiro, N=21
  • Naftali et al. (2021) — RCT N=56 com óleo CBD+THC
  • Irving et al. (2018) — RCT britânico em colite ulcerativa, N=60
  • Couch et al. (2019) — estudo translacional sobre permeabilidade intestinal
  • Revisão Cochrane (Kafil et al., 2018) — síntese de 3 RCTs, N=93

No Brasil, a contribuição mais significativa para esta agenda vem da prática clínica: médicos prescritores brasileiros têm acompanhado pacientes com Crohn em uso de Cannabis medicinal e relatado experiências em congressos e publicações de natureza observacional, ainda não em forma de ensaio clínico randomizado nacional.

Por que o Brasil ainda não tem ensaio clínico em Crohn?

O caminho da pesquisa clínica em Cannabis medicinal no Brasil é lento por motivos estruturais — não por falta de interesse científico. Ensaios clínicos com Cannabis exigem aprovação ética complexa, fornecimento padronizado do produto investigacional, financiamento robusto e equipes especializadas em gastroenterologia + farmacologia canabinoide.

“A pesquisa brasileira em Cannabis medicinal cresceu muito nos últimos anos, com contribuições importantes em autismo (Fleury-Teixeira, UnB, 2019; Silva Junior, UFPB, 2024), epilepsia e fibromialgia (Chaves et al., 2020). Em doença de Crohn, ainda não temos um RCT nacional publicado — mas a prática clínica brasileira acumula casuística relevante. É uma área aberta para pesquisa, e os dados internacionais já fornecem base científica sólida para a prescrição cuidadosa.” — Dr. Fabrício Pamplona, farmacologista PhD

O que dizem os estudos internacionais sobre Cannabis e Crohn

Naftali T et al. (2013) — Clinical Gastroenterology and Hepatology
Ensaio clínico randomizado, controlado por placebo, com 21 pacientes com Crohn ativo refratário a tratamento convencional. Cannabis rica em THC (115mg de THC/dia por 8 semanas) produziu resposta clínica em 10 de 11 pacientes no grupo cannabis, contra 4 de 10 no placebo. Cinco pacientes alcançaram remissão completa (CDAI <150). Houve melhora também em apetite e sono, sem efeitos colaterais graves.
Naftali T et al. (2021) — PLoS ONE
RCT com 56 pacientes ao longo de 8 semanas. O óleo de cannabis (CBD 4% + THC 15%) reduziu significativamente o CDAI em relação ao placebo (redução de 220 vs. 40 pontos). Importante: a melhora foi clínica e sintomática, sem alteração endoscópica significativa — ou seja, os pacientes se sentiram melhor sem evidência clara de cura mucosa.
Couch DG et al. (2019) — Inflammatory Bowel Diseases
Estudo translacional mostrando que o CBD preveniu a hiperpermeabilidade intestinal induzida por inflamação em tecido humano ex vivo e in vivo. Sugere mecanismo de proteção da barreira intestinal — particularmente relevante na fisiopatologia da DII, onde o “intestino permeável” é parte central da inflamação.
Kafil TS et al. (2018) — Cochrane Database of Systematic Reviews
Revisão sistemática Cochrane de 3 RCTs, N=93. Conclusão: a cannabis pode melhorar sintomas e qualidade de vida em pacientes com Crohn ativo, mas a evidência ainda é insuficiente para conclusões definitivas sobre remissão clínica sustentada ou remissão endoscópica. A revisão pede estudos maiores e mais longos.

Um detalhe importante para honestidade científica: os RCTs positivos em Crohn usaram cannabis com THC, não CBD isolado. A revisão de Ambrose & Simmons (2019, Journal of Crohn’s and Colitis) sintetiza bem: o sistema endocanabinoide está densamente expresso no trato gastrointestinal, com receptores CB1 e CB2 modulando motilidade, inflamação, dor visceral e permeabilidade. A evidência clínica sugere benefício sintomático consistente; a evidência de cura mucosa permanece insuficiente.

Pesquisa brasileira em Cannabis medicinal: o que existe hoje

Mesmo sem RCT nacional específico para Crohn, o Brasil produziu nos últimos anos contribuições científicas relevantes em Cannabis medicinal que sustentam a prescrição clínica responsável:

  • Autismo: Fleury-Teixeira et al. (UnB, 2019, Frontiers in Neurology) e Silva Junior et al. (UFPB, 2024, Trends in Psychiatry and Psychotherapy) — este último o primeiro RCT brasileiro em TEA.
  • Fibromialgia: Chaves et al. (2020, Pain Medicine) — RCT brasileiro duplo-cego em fibromialgia, mostrando melhora em qualidade de vida e bem-estar.
  • Prática clínica acumulada: bases de dados de plataformas e médicos prescritores brasileiros reúnem milhares de pacientes em tratamento, incluindo casos de DII — material observacional valioso que pode dar origem a publicações nos próximos anos.

A contribuição brasileira para a discussão sobre Crohn e canabidiol, hoje, está mais no plano da prática clínica (médicos gastroenterologistas e prescritores acompanhando pacientes reais) do que no plano de ensaios clínicos formais. Isso não invalida o uso terapêutico — apenas significa que, no momento, baseamos a prescrição em evidência internacional + experiência clínica acumulada.

Como interpretar a evidência disponível na prática

Resumo honesto da evidência atual:
  • Forte: Cannabis (especialmente com THC) melhora sintomas de Crohn — dor, apetite, sono, qualidade de vida.
  • Razoável: CBD tem efeito protetor sobre a barreira intestinal (evidência translacional).
  • ⚠️ Insuficiente: Evidência de cura mucosa ou remissão endoscópica sustentada.
  • ⚠️ Insuficiente: Substituição de biológicos (infliximabe, adalimumabe) ou imunossupressores.
  • Inexistente: RCT brasileiro específico em Crohn.

Na prática, isso significa que o canabidiol — geralmente em formulações Full Spectrum, em alguns casos com proporção maior de THC quando legalmente possível e clinicamente indicado — tem sido usado como tratamento adjuvante em pacientes com Crohn, especialmente para sintomas residuais (dor abdominal, distúrbio de sono, falta de apetite, ansiedade) que persistem mesmo com tratamento convencional bem conduzido. Saiba mais sobre se o canabidiol funciona mesmo para Crohn e como o canabidiol age no intestino.

Existem muitos medicamentos à base de Cannabis medicinal disponíveis no mercado. Os produtos citados neste artigo são mencionados como parâmetro ilustrativo de composição e faixa de preço — não constituem recomendação de compra. As opções citadas servem para comparar composição e custo; o medicamento adequado — inclusive quando a resposta clínica exige outro perfil de canabinoides ou maior proporção de THC, como sugerem os RCTs de Naftali — é definido pelo médico com base no quadro individual.

ProdutoComposiçãoPreço
Cannaviva Full Spectrum 6000mgCBD 6000mg/30mL (200mg/mL)R$ 350
cbdMD Full Spectrum 6000mgCBD 6000mg/30mLR$ 377
Canna River Full Spectrum ClassicCBD 6000mg/60mLR$ 390
Cannaviva CBD+THCCBD 600mg + THC 600mg/30mLR$ 450

Perguntas Frequentes

Existe RCT brasileiro publicado sobre canabidiol e doença de Crohn?

Até a data desta publicação, não há ensaio clínico randomizado brasileiro publicado especificamente sobre canabidiol em doença de Crohn. A pesquisa brasileira em Cannabis medicinal cresceu em outras áreas (autismo, fibromialgia, epilepsia), mas DII ainda é uma lacuna formal.

Quais são os principais estudos internacionais sobre cannabis e Crohn?

Os principais são os RCTs israelenses de Naftali et al. (2013 e 2021), o estudo translacional de Couch et al. (2019) sobre permeabilidade intestinal e a revisão sistemática Cochrane de Kafil et al. (2018). Em conjunto, mostram benefício sintomático consistente, com evidência insuficiente sobre cura mucosa.

Por que os estudos positivos em Crohn usaram cannabis com THC e não CBD isolado?

Os RCTs de Naftali utilizaram cannabis rica em THC justamente porque o THC tem ação direta sobre receptores CB1 do trato gastrointestinal, modulando motilidade, dor visceral e apetite. O CBD isolado tem evidência mais robusta no eixo de proteção da barreira intestinal e inflamação, mas menos dados em desfechos clínicos primários de Crohn.

Sem RCT brasileiro, é seguro usar canabidiol para Crohn no Brasil?

Sim, desde que com prescrição e acompanhamento médico. A ausência de RCT nacional não significa ausência de base científica — a evidência internacional é suficiente para fundamentar prescrição responsável. Médicos prescritores brasileiros têm acompanhado pacientes com Crohn há anos e acumulam casuística clínica relevante.

A prática clínica brasileira já produziu publicações sobre Crohn e Cannabis?

Há relatos de casos, apresentações em congressos e séries observacionais ainda em desenvolvimento. Plataformas de Cannabis medicinal no Brasil acumulam bases de dados com milhares de pacientes — material que pode originar publicações formais nos próximos anos, incluindo recortes específicos para DII.

O Brasil tem ensaios clínicos sendo conduzidos atualmente em Crohn?

Não há, no momento da publicação deste artigo, um ensaio clínico brasileiro de fase II/III específico para canabidiol em Crohn registrado e em andamento de domínio público. O cenário pode mudar nos próximos anos com o crescimento da pesquisa nacional em Cannabis medicinal.

A revisão Cochrane sobre cannabis e Crohn é favorável ao uso?

A revisão Cochrane (Kafil et al., 2018) reconhece melhora sintomática e de qualidade de vida em pacientes com Crohn ativo tratados com cannabis. Ressalva que a evidência é insuficiente para conclusões definitivas sobre remissão clínica sustentada e endoscópica, pedindo estudos maiores — postura científica padrão para uma área ainda em consolidação.

O canabidiol pode curar a doença de Crohn?

Não. A doença de Crohn é uma condição crônica sem cura conhecida — nem com tratamentos convencionais nem com Cannabis medicinal. O canabidiol pode atuar como tratamento adjuvante, melhorando sintomas e qualidade de vida, mas a expectativa correta é controle clínico, não cura.

Onde acompanhar novas pesquisas sobre cannabis e DII?

As principais fontes são PubMed (com termos “cannabis Crohn”, “cannabidiol inflammatory bowel disease”), os journals Inflammatory Bowel Diseases, Journal of Crohn’s and Colitis, Clinical Gastroenterology and Hepatology e a base Cochrane. No Brasil, congressos de gastroenterologia e de Cannabis medicinal têm trazido casuísticas clínicas relevantes.

A ausência de RCT brasileiro deve adiar minha decisão de iniciar o tratamento?

Essa é uma decisão clínica individual, tomada com o médico prescritor. A evidência internacional é considerada suficiente por boa parte da comunidade médica para prescrever Cannabis medicinal em Crohn como adjuvante, especialmente quando os sintomas persistem com o tratamento convencional. O caminho mais seguro é avaliar o caso com um médico experiente em Cannabis medicinal e gastroenterologia.

Como a Fito Canábica Apoia Pacientes com Doença de Crohn

  • Consulta com médicos prescritores experientes em Cannabis medicinal — Victoria Taveira, Clara Calabrich, Diego Araldi e Nathalie Vestarp — a partir de R$ 180
  • Orientação completa sobre autorização Anvisa (RDC 660) e caminhos via associações (RDC 327)
  • Indicação de produtos com bom custo-benefício para tratamento contínuo
  • Acompanhamento farmacêutico durante a titulação
  • Suporte por WhatsApp para dúvidas no tratamento
  • Consultas de retorno periódicas para ajuste de dose

O tratamento com canabidiol é um tratamento sério que requer atenção profissional especializada. O melhor caminho começa pela consulta com um médico qualificado em prescrição de cannabis medicinal, preferencialmente com experiência em doença de Crohn e doenças inflamatórias intestinais. O médico avalia o caso, define o produto e a dose-alvo, e emite a receita. Depois disso, o paciente faz a aquisição do medicamento e inicia o tratamento conforme orientação. Existem caminhos que facilitam essa jornada: a Fito Canábica conecta pacientes a médicos prescritores qualificados, com consulta a partir de R$ 180.

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Sobre o autor
Dr. Fabrício Pamplona é farmacologista e pesquisador brasileiro, Doutor em Psicofarmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria (Munique, Alemanha). Dedica-se há mais de 20 anos ao estudo do sistema endocanabinoide e ao desenvolvimento de terapias à base de Cannabis medicinal. Autor de mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais, é sócio da Fito Canábica e atua traduzindo a ciência da Cannabis para a prática clínica com linguagem acessível, responsabilidade e foco no paciente.

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Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal requer avaliação e prescrição de médico habilitado. Procure um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer tratamento.

Referências:
  1. Naftali T, Bar-Lev Schleider L, Dotan I, Lansky EP, Sklerovsky Benjaminov F, Konikoff FM. Cannabis induces a clinical response in patients with Crohn’s disease: a prospective placebo-controlled study. Clin Gastroenterol Hepatol. 2013;11(10):1276-1280.
  2. Naftali T, Bar-Lev Schleider L, Sklerovsky Benjaminov F, Konikoff FM, Matalon ST, Ringel Y. Cannabis is associated with clinical but not endoscopic remission in patients with Crohn’s disease: A randomized controlled trial. PLoS ONE. 2021.
  3. Naftali T, Lev LB, Yablecovitch D, Half E, Konikoff FM. Treatment of Crohn’s disease with cannabis: an observational study. Isr Med Assoc J. 2011;13(8):455-458.
  4. Irving PM, Iqbal T, Nwokolo C, et al. A Randomized, Double-blind, Placebo-controlled, Parallel-group, Pilot Study of Cannabidiol-rich Botanical Extract in the Symptomatic Treatment of Ulcerative Colitis. Inflamm Bowel Dis. 2018;24(4):714-724.
  5. Couch DG, Cook H, Ortori C, Barrett D, Lund JN, O’Sullivan SE. Palmitoylethanolamide and Cannabidiol Prevent Inflammation-induced Hyperpermeability of the Human Gut In Vitro and In Vivo. Inflamm Bowel Dis. 2019;25(6):1006-1018.
  6. Ambrose T, Simmons A. Cannabis, Cannabinoids, and the Endocannabinoid System—Is there Therapeutic Potential for Inflammatory Bowel Disease? J Crohns Colitis. 2019;13(4):525-535.
  7. Kafil TS, Nguyen TM, MacDonald JK, Chande N. Cannabis for the treatment of Crohn’s disease. Cochrane Database Syst Rev. 2018;11:CD012853.
  8. Fleury-Teixeira P, et al. Effects of CBD-Enriched Cannabis sativa Extract on Autism Spectrum Disorder Symptoms. Front Neurol. 2019;10:1145.
  9. Silva Junior EA, et al. Cannabidiol-rich cannabis extract in children with autism spectrum disorder: RCT. Trends Psychiatry Psychother. 2024;46:e20210396.
  10. Chaves C, Bittencourt PCT, Pelegrini A. Ingestion of a THC-Rich Cannabis Oil in People with Fibromyalgia. Pain Medicine. 2020.
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