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Canabidiol e Câncer: Guia Completo sobre Evidências, Sintomas, Doses e Cuidados

Canabidiol e Câncer





Canabidiol e Câncer: Guia Completo sobre Evidências, Sintomas, Doses e Cuidados


Canabidiol e Câncer: Guia Completo sobre Evidências, Sintomas, Doses e Cuidados

Receber um diagnóstico oncológico transforma a rotina de qualquer família. Junto com o tratamento convencional — cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia — chega um conjunto de sintomas que muitas vezes pesa tanto quanto a própria doença: dor, náusea, perda de apetite, insônia, ansiedade. É nesse contexto que muitos pacientes e familiares passam a pesquisar sobre canabidiol e câncer, em busca de algo que possa aliviar o sofrimento e somar ao tratamento principal.

Este guia foi escrito para responder, com seriedade científica, o que a literatura mostra hoje sobre o uso do canabidiol (CBD) e dos canabinoides em pacientes oncológicos — sem prometer cura, sem assustar e sem omitir o que a evidência efetivamente diz.

⚠️ Atenção: Este conteúdo tem caráter educativo. O canabidiol e demais canabinoides não substituem o tratamento oncológico prescrito (cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia). Qualquer uso deve ser avaliado por médico prescritor habilitado, especialmente porque há interações possíveis com quimioterápicos e imunoterápicos. Agende sua consulta com os médicos prescritores da Fito Canábica →

A Resposta Direta: O canabidiol trata câncer?

A resposta honesta é: o canabidiol não cura câncer, e não há evidência clínica robusta de que cure ou substitua os tratamentos oncológicos convencionais. O que existe hoje é evidência razoável de que canabinoides — isolados ou em combinação (CBD, THC ou CBD:THC) — podem ajudar no controle de sintomas associados à doença e ao tratamento, em paralelo à terapia oncológica padrão.

O que a ciência mostra hoje, em resumo:

  • Controle de sintomas (evidência razoável em humanos): dor oncológica refratária a opioides, náusea e vômito induzidos por quimioterapia, perda de apetite, ansiedade e distúrbios do sono.
  • Efeito antitumoral (evidência preliminar, predominantemente pré-clínica): estudos em células e animais mostram indução de apoptose, autofagia e inibição de angiogênese. Em humanos, há apenas estudos piloto e de fase inicial — insuficientes para indicação curativa.
  • Atenção crítica em imunoterapia: um estudo observacional (Bar-Sela 2020) sugere que o uso concomitante de cannabis pode reduzir a resposta a inibidores de checkpoint. Decisão sempre com o oncologista.
  • Caminho legal no Brasil: via importação com autorização ANVISA (RDC 660/2022) ou via associações de pacientes (RDC 327/2019), sempre com receita médica.

Em outras palavras: o canabidiol pode ser um aliado importante no cuidado integral do paciente oncológico — não um substituto da oncologia. Quem promete cura está, no melhor dos casos, mal informado; no pior, agindo de má-fé com pessoas em situação vulnerável.

Como os canabinoides agem no organismo do paciente oncológico

O corpo humano possui o sistema endocanabinoide, uma rede de receptores (CB1 e CB2), endocanabinoides naturais (anandamida, 2-AG) e enzimas que participa da regulação de dor, inflamação, humor, sono, apetite, náusea e da própria proliferação celular. Os canabinoides da Cannabis — principalmente CBD e THC — atuam modulando esse sistema.

No paciente oncológico, três mecanismos costumam ser destacados:

  1. Modulação da dor: CBD e THC atuam por vias diferentes das do opioide, o que explica por que podem ajudar em dores refratárias a morfina e derivados.
  2. Controle antiemético: o THC tem ação direta sobre os centros de náusea e vômito; o CBD atua em receptores 5-HT1A, contribuindo de forma complementar.
  3. Efeitos celulares (em estudo): em modelos pré-clínicos, canabinoides induzem apoptose, autofagia e bloqueio de angiogênese em diversas linhagens tumorais — mas essa evidência não se traduz automaticamente em eficácia clínica.

“No paciente com câncer, o sistema endocanabinoide aparece como uma rede de regulação que toca exatamente os pontos que mais pesam no dia a dia: dor, náusea, sono, apetite e ansiedade. É por isso que o uso clínico mais consistente dos canabinoides em oncologia hoje está no controle de sintomas, em paralelo ao tratamento principal — não no lugar dele.” — Dr. Fabrício Pamplona

O que dizem os estudos clínicos: evidência pré-clínica vs evidência humana

Para entender por que falamos com cautela sobre câncer, é preciso separar dois mundos: o que se observa em laboratório (células e animais) e o que se observa em pacientes. Misturar os dois é a principal fonte de promessas exageradas na internet.

Evidência pré-clínica (in vitro e modelos animais)

Velasco, Sánchez e Guzmán (2016) revisaram os mecanismos antitumorais dos canabinoides identificados principalmente em modelos pré-clínicos — culturas celulares e animais: indução de apoptose, autofagia, inibição de proliferação, bloqueio de angiogênese e redução de metástase em diferentes linhagens (glioma, mama, próstata, pâncreas, entre outros). Esse é o cenário animador que circula em vídeos e redes sociais — mas é importante repetir: efeito em célula e em camundongo não é o mesmo que eficácia em paciente.

Evidência clínica em humanos — antitumoral

Estudos clínicos em humanos com foco antitumoral:

  • Guzmán et al. (2006), British Journal of Cancer — estudo piloto de fase I com THC administrado diretamente no tumor em 9 pacientes com glioblastoma multiforme recorrente. Mostrou segurança e indícios de atividade biológica, mas N muito pequeno e sem desenho para eficácia.
  • Twelves et al. (2021), British Journal of Cancer — fase Ib randomizada, N=21, nabiximols (THC:CBD em spray oromucoso) + temozolomida vs placebo + temozolomida em glioblastoma recorrente. Sobrevida em 1 ano: 83% no grupo nabiximols vs 44% no placebo. Sinal promissor, mas amostra pequena e ainda em fases iniciais.

Esses são, hoje, os estudos clínicos mais citados com foco antitumoral. Eles justificam continuar pesquisando — não justificam afirmar que canabinoides tratam câncer. Falta ainda estudos de fase III, com amostras maiores e desfechos de sobrevida bem definidos.

Evidência clínica em humanos — controle de sintomas

É aqui que o cenário muda: a evidência é mais sólida, mais reprodutível e clinicamente útil.

  • Johnson et al. (2010), J Pain Symptom Manage — RCT multicêntrico, duplo-cego, N=177. Extrato THC:CBD (nabiximols) reduziu significativamente a dor oncológica refratária a opioides, com boa tolerabilidade.
  • Grimison et al. (2020), Annals of Oncology — RCT crossover, N=81. Extrato oral THC:CBD reduziu náusea e vômito refratários induzidos por quimioterapia. 83% dos pacientes preferiram o canabinoide ao placebo.
  • Abrams (2022), Current Oncology — revisão narrativa de referência: a evidência mais consistente em oncologia está no controle de dor, náusea, anorexia, ansiedade e sono; a antitumoral em humanos permanece preliminar.
  • Good et al. (2020), BMC Palliative Care — RCT em cuidados paliativos oncológicos avançados testando canabinoide oral; nesse desenho específico, não houve superioridade clara sobre o placebo no alívio global de sintomas em pacientes terminais, reforçando que o efeito depende do contexto clínico e da formulação.
Ponto-chave: a maior parte dos estudos clínicos positivos em oncologia utilizou combinações de THC e CBD (nabiximols, THC:CBD oral), não CBD isolado. Isso explica por que, na prática, muitos médicos prescritores optam por Full Spectrum em pacientes oncológicos — sempre individualizando.

Controle de sintomas: dor, náusea, apetite, sono e ansiedade

Este é o terreno em que canabinoides têm o impacto mais claro na vida do paciente oncológico. Vamos por sintoma.

Dor oncológica

A dor é um dos sintomas mais prevalentes em câncer avançado, e uma parcela importante de pacientes não obtém alívio adequado mesmo com opioides em doses otimizadas. O estudo de Johnson et al. (2010) mostrou que o extrato THC:CBD foi superior ao placebo justamente em pacientes com dor refratária aos opioides — um cenário clínico difícil e relevante. Revisões posteriores (Abrams 2022) corroboram esse papel adjuvante.

Para aprofundar este tema, vale ler também Canabidiol para Dor Oncológica: Evidências e Uso Prático.

Náusea e vômito induzidos por quimioterapia (NVIQ)

A náusea e o vômito induzidos por quimioterapia estão entre os efeitos colaterais mais temidos do tratamento oncológico, com prevalência substancial em pacientes que recebem esquemas altamente emetogênicos, mesmo com antieméticos modernos (Navari & Aapro, N Engl J Med 2016). O estudo de Grimison et al. (2020) demonstrou que o extrato oral THC:CBD foi eficaz em casos refratários à terapia antiemética padrão.

Importante: canabinoides em oncologia não substituem antieméticos modernos (ondansetrona, palonosetrona, aprepitanto, dexametasona) — eles entram como adjuvante quando o esquema padrão falha. Mais detalhes em CBD para Náusea e Vômito da Quimioterapia: O Que Funciona Melhor.

Apetite e perda de peso

A caquexia oncológica e a perda de apetite são sintomas que afetam fortemente a qualidade de vida. O THC tem ação orexígena (estimula apetite) bem descrita; o CBD isolado tem efeito menos pronunciado nesse sintoma. Por isso, em pacientes com perda significativa de apetite, formulações com participação de THC tendem a ser preferidas — sempre por decisão médica, considerando o quadro completo.

Sono

Insônia, sono fragmentado e dificuldade para dormir são companhias frequentes do tratamento oncológico — seja pela dor, pela ansiedade ou pelos próprios medicamentos. O CBD em doses adequadas melhora a qualidade do sono sem sedação direta, atuando indiretamente via redução de ansiedade e modulação do ciclo sono-vigília. Quando o sono é o sintoma dominante, formulações com CBN (como o Lazarus Sleep) podem ser consideradas pelo médico.

Ansiedade e humor

O diagnóstico oncológico e o tratamento prolongado têm impacto psicológico real. O CBD tem evidência consistente de efeito ansiolítico em outras populações, atuando via receptor 5-HT1A. Em oncologia, esse efeito ajuda no enfrentamento do tratamento — sem o perfil de dependência dos benzodiazepínicos.

Dose, espectro e formulações usadas em oncologia

Não existe “dose padrão” universal de canabidiol para pacientes com câncer. A dose é individualizada pelo médico, conforme a condição clínica, o sintoma-alvo, o tratamento oncológico em curso, a tolerabilidade e a resposta. Ainda assim, é útil conhecer as faixas usadas na prática.

Faixas de dose em mg totais/dia (com base em prática clínica e revisões como Abrams 2022):

  • Inicial / titulação: 10–25 mg/dia, geralmente dividido em 2 tomadas, ajustando a cada 3–7 dias.
  • Manutenção típica: 40–150 mg/dia, conforme resposta e sintoma-alvo.
  • Doses maiores (dor severa, sintomas refratários): 150–300 mg/dia ou mais, sempre sob acompanhamento próximo.

Em oncologia, é comum que as doses sejam mais elevadas do que em outras indicações, pela intensidade dos sintomas e pela presença de polifarmácia. Esses parâmetros são exemplos — a definição é sempre clínica.

Para o tema dose com profundidade, ver Dose de Canabidiol para Pacientes com Câncer: Como o Médico Define.

Conversão prática: mg, gotas e custo

A prescrição médica chega ao paciente em gotas. Sabendo a concentração do frasco, a conversão é direta — 45 gotas equivalem a 1 mL. Em um Full Spectrum 6000mg/30mL (200mg/mL), 1 gota tem aproximadamente 4,4 mg de CBD.

Dose diária Gotas/dia* Duração do frasco 6000mg/30mL Custo mensal estimado**
50 mg/dia ~11 gotas ~120 dias ~R$ 88/mês
100 mg/dia ~23 gotas ~60 dias ~R$ 175/mês
150 mg/dia ~34 gotas ~40 dias ~R$ 263/mês
300 mg/dia ~68 gotas ~20 dias ~R$ 525/mês

*Base: Cannaviva Full Spectrum 6000mg/30mL = 200mg/mL → 1 gota ≈ 4,4 mg. **Estimativa com frasco a R$ 350; valores variam por marca e disponibilidade.

Qual espectro escolher: Full Spectrum, Broad Spectrum ou Isolado?

Na prática clínica oncológica, Full Spectrum tende a ser a primeira escolha — pelo efeito entourage (sinergia entre canabinoides, terpenos e flavonoides) e porque a maioria dos estudos clínicos positivos em oncologia usou combinações com THC. Em casos com restrição ocupacional ao THC ou maior sensibilidade, Broad Spectrum ou Isolado podem ser opções avaliadas pelo médico.

Para entender as diferenças entre os canabinoides no tratamento oncológico, vale ler Qual a diferença entre CBD e THC no tratamento do câncer?.

Interações com quimioterapia, radioterapia e imunoterapia

Esse é um dos temas mais importantes — e menos abordados — em pacientes oncológicos. O uso de canabinoides em paralelo ao tratamento principal exige atenção a interações farmacológicas reais.

Interações via CYP (citocromo P450)

O CBD é metabolizado e também inibe enzimas hepáticas (especialmente CYP3A4 e CYP2D6), que metabolizam uma parcela importante dos quimioterápicos orais, antieméticos, opioides e analgésicos coadjuvantes. Isso significa que, em teoria, o CBD pode alterar os níveis sanguíneos de outras medicações — aumentando ou reduzindo seu efeito e seus efeitos colaterais.

Na prática, isso não inviabiliza o uso conjunto, mas exige:

  • Avaliação caso a caso pelo oncologista e pelo médico prescritor de Cannabis.
  • Atenção a ajustes de dose dos demais medicamentos.
  • Monitoramento clínico próximo, especialmente nas primeiras semanas.

Detalhes práticos em Canabidiol e Quimioterapia: Interações, Segurança e Como Usar Junto e em CBD pode ser usado durante a quimioterapia?.

Radioterapia

Não há evidência de interação significativa entre canabinoides e radioterapia em si. Os canabinoides podem inclusive ajudar com sintomas frequentes durante a radioterapia, como ansiedade, dor local e dificuldade para dormir — sempre com aval do oncologista responsável.

Imunoterapia — alerta importante

Atenção clínica relevante: Bar-Sela et al. (2020), em estudo observacional publicado em Cancers, sugeriu que o uso concomitante de cannabis em pacientes recebendo inibidores de checkpoint imunológico (como nivolumab, pembrolizumab, ipilimumab) pode estar associado a pior resposta clínica e menor sobrevida livre de progressão. O dado é observacional — não estabelece causalidade definitiva — mas é robusto o suficiente para exigir discussão explícita com o oncologista antes de iniciar canabinoides em paciente em imunoterapia. Em alguns casos, o médico pode optar por adiar, suspender ou ajustar.

Esse é um exemplo claro de por que o uso de Cannabis medicinal em oncologia precisa ser conduzido com equipe médica integrada, e não por conta própria. Mais sobre o tema em É seguro tomar canabidiol durante a imunoterapia?.

Marcas e custo mensal real do tratamento no Brasil

Em oncologia, o custo do tratamento é uma preocupação real — especialmente porque doses tendem a ser mais elevadas e o tratamento, prolongado. Conhecer marcas com bom custo-benefício faz diferença na sustentabilidade do uso.

Existem muitos medicamentos à base de Cannabis medicinal disponíveis no mercado. Os produtos citados neste artigo são mencionados como parâmetro ilustrativo de composição e faixa de preço — não constituem recomendação de compra. A escolha do medicamento, da dose e da via de acesso é sempre definida pelo médico prescritor com base no quadro clínico individual do paciente. As opções listadas servem para comparar composição e custo; o medicamento adequado — inclusive quando a resposta clínica exige outro perfil de canabinoides ou maior proporção de THC — é definido pelo médico com base na sua condição e evolução.

Referências de mercado (Maio/2026)

Marca Produto Volume Preço
Cannaviva Full Spectrum CBD 6000mg 30 mL R$ 350
cbdMD Full Spectrum CBD 6000mg 30 mL R$ 377
Canna River Full Spectrum Classic CBD 6000mg 60 mL R$ 390
Canna River Pain Full Spectrum CBD 5000mg + CBG 2500mg 60 mL R$ 338
Cannaviva CBD+THC ⚠️ Full Spectrum CBD 600mg + THC 600mg 30 mL R$ 450
⚠️ Produto com THC acima de 0,3%: o Cannaviva CBD 600mg + THC 600mg contém THC em concentração de aproximadamente 20 mg/mL — muito acima dos 0,3% típicos de Full Spectrum padrão. Sua importação exige receita médica específica e autorização individual da ANVISA conforme RDC 660/2022. O uso é restrito a pacientes com prescrição justificada e acompanhamento médico próximo. Não se trata de produto de prateleira.

Entre as opções de Full Spectrum 6000 mg disponíveis, Cannaviva (R$ 350), cbdMD (R$ 377) e Canna River (R$ 390) oferecem bom custo-benefício, com diferença pequena entre si. Para pacientes em que o componente álgico/inflamatório é predominante, formulações com CBG (como a Canna River Pain) podem ser consideradas pelo médico.

Para aprofundar a comparação entre marcas com olhar oncológico, veja Melhores Marcas de Canabidiol para Pacientes Oncológicos no Brasil.

Caminhos de acesso e preço

  • Importados via RDC 660/2022 (Cannaviva, Canna River, cbdMD, Lazarus): melhor custo por mg; requer receita + autorização ANVISA. Prazo de chegada precisa ser considerado para o paciente oncológico — a Fito Canábica orienta esse processo para encurtar o caminho.
  • Farmácias nacionais (Prati-Donaduzzi, Mantecorp, GreenCare): disponibilidade imediata, sem importação, porém preço significativamente maior.
  • Associações de pacientes (RDC 327) como ASPAEC, Abrace e Santa Cannabis: outra via, geralmente mais acessível. O médico orienta o melhor caminho conforme o caso.

Caminho legal: RDC 660, RDC 327 e prescrição médica

No Brasil, o acesso à Cannabis medicinal é regulamentado e legal — mas exige passos formais. Para o paciente oncológico, o tempo importa: quanto antes o caminho for organizado, mais rápido o tratamento adjuvante começa.

  1. Consulta com médico prescritor habilitado em Cannabis medicinal, idealmente com experiência em oncologia. O médico avalia o caso, define produto, espectro e dose-alvo, e emite receita.
  2. Escolha do caminho de acesso:
    • RDC 660/2022 — Importação: com a receita, o paciente solicita a autorização individual à ANVISA pelo site oficial. Aprovada, o produto é importado pela empresa habilitada.
    • RDC 327/2019 — Farmácia nacional ou associações: retirada via farmácia magistral autorizada ou associação de pacientes.
  3. Início do tratamento com titulação supervisionada e ajustes nas primeiras semanas.
  4. Acompanhamento com consultas de retorno e suporte para dúvidas durante o tratamento.

Passo a passo detalhado em Como Conseguir Canabidiol para Tratamento de Câncer no Brasil.

Perguntas Frequentes

O canabidiol cura o câncer?

Não. Não há evidência clínica robusta de que o canabidiol cure ou substitua tratamentos oncológicos. A evidência sólida atual está no controle de sintomas (dor, náusea, apetite, sono, ansiedade). Estudos pré-clínicos mostram efeitos antitumorais em células e animais, mas em humanos os dados ainda são preliminares e insuficientes para indicação curativa. Mais detalhes em Canabidiol cura câncer?.

Canabidiol pode substituir a quimioterapia?

Não. Nenhum estudo clínico demonstra que canabinoides substituam a quimioterapia, a radioterapia, a cirurgia ou a imunoterapia. O uso é adjuvante, em paralelo ao tratamento oncológico, voltado principalmente ao controle de sintomas e à qualidade de vida. Veja Canabidiol pode substituir a quimioterapia?.

CBD pode ser usado durante a quimioterapia?

Em geral, sim — desde que com acompanhamento médico. O CBD interage com enzimas hepáticas (CYP3A4 e CYP2D6) que metabolizam vários medicamentos, incluindo alguns quimioterápicos. Por isso o uso conjunto deve ser avaliado pelo oncologista e pelo prescritor de Cannabis para ajustes e monitoramento.

É seguro tomar canabidiol durante a imunoterapia?

É preciso cautela. O estudo de Bar-Sela et al. (2020) sugeriu que o uso de cannabis pode estar associado a pior resposta a inibidores de checkpoint imunológico. O dado é observacional, mas relevante. A decisão precisa ser tomada em conjunto com o oncologista — em alguns casos, vale adiar ou ajustar.

Qual a dose de canabidiol para pacientes oncológicos?

A dose é individualizada. Faixas usadas na prática: 10–25 mg/dia no início, 40–150 mg/dia na manutenção, podendo chegar a 150–300 mg/dia em sintomas severos. Em oncologia, doses tendem a ser maiores devido à intensidade dos sintomas. Quem define é sempre o médico prescritor.

CBD ajuda com náusea e vômito da quimioterapia?

Sim, especialmente em casos refratários. O estudo de Grimison et al. (2020) mostrou que o extrato oral THC:CBD foi eficaz em pacientes com náusea e vômito não controlados pelos antieméticos modernos. 83% preferiram o canabinoide ao placebo. Não substitui ondansetrona e similares — entra como adjuvante.

Canabidiol melhora a dor no câncer avançado?

Sim, sobretudo em dor refratária a opioides. Johnson et al. (2010) demonstrou que o extrato THC:CBD reduziu significativamente a dor oncológica resistente a morfina e derivados, com boa tolerabilidade. Em dor leve a moderada, o efeito é menos pronunciado e a decisão é clínica.

CBD ajuda no apetite de pacientes com câncer?

O CBD isolado tem efeito modesto sobre apetite. O THC tem ação orexígena bem descrita. Em pacientes com perda significativa de peso e apetite, formulações com participação de THC tendem a ser preferidas — sempre por avaliação médica.

Existe diferença entre CBD e THC no tratamento do câncer?

Sim. CBD tem perfil mais ansiolítico e anti-inflamatório, sem efeito psicoativo. THC tem maior efeito analgésico, antiemético e orexígeno, mas é psicoativo. A maioria dos estudos clínicos positivos em oncologia usou combinações THC:CBD, não CBD isolado. Detalhes em CBD vs THC no câncer.

Cannabis medicinal é indicada para câncer terminal e cuidados paliativos?

Sim, e é uma das aplicações mais estudadas. Em cuidados paliativos oncológicos, canabinoides podem ajudar com dor, náusea, ansiedade, sono e qualidade de vida. Há estudos com resultados positivos e outros, como Good et al. (2020), que não mostraram superioridade clara em desenhos específicos — reforçando que a indicação é caso a caso. Veja Canabidiol em Cuidados Paliativos Oncológicos.

Quais tipos de câncer respondem melhor ao canabidiol?

Em termos de controle de sintomas, qualquer tipo de câncer pode se beneficiar, pois dor, náusea, sono e ansiedade são sintomas comuns a todos. Em termos de efeito antitumoral, os tipos mais estudados em laboratório e em fase clínica inicial incluem glioblastoma (Guzmán 2006, Twelves 2021), câncer de mama e outros — mas ainda sem evidência clínica que suporte indicação curativa.

Como conseguir canabidiol para câncer no Brasil?

O caminho é: (1) consulta com médico prescritor, (2) receita médica, (3) escolha do caminho legal — importação via RDC 660 com autorização ANVISA, farmácia nacional ou associação de pacientes (RDC 327), (4) início do tratamento com acompanhamento. A Fito Canábica orienta todas as etapas para encurtar prazos, considerando a urgência oncológica.

Como a Fito Canábica apoia pacientes oncológicos

O paciente oncológico não tem tempo a perder com burocracia. A Fito Canábica foi construída para tornar o acesso à Cannabis medicinal rápido, seguro e bem orientado, especialmente em situações sensíveis como o câncer.

  • Consulta online a partir de R$ 180 com médicos prescritores experientes em Cannabis medicinal — Victoria Taveira, Clara Calabrich, Diego Araldi e Nathalie Vestarp atuam na rede da Fito.
  • Orientação completa para acesso: receita, importação via RDC 660 com autorização ANVISA, indicação de produtos com bom custo-benefício e caminhos via associações quando indicado.
  • Acompanhamento farmacêutico durante a titulação e suporte por WhatsApp para dúvidas no tratamento.
  • Consultas de retorno periódicas para ajustes e integração com o oncologista responsável.

O tratamento com canabidiol em oncologia é um tratamento sério que requer atenção profissional especializada. O melhor caminho começa pela consulta com um médico qualificado em prescrição de Cannabis medicinal, preferencialmente com experiência em pacientes oncológicos. O médico avalia o caso, define o produto e a dose-alvo, e emite a receita. Depois disso, o paciente faz a aquisição do medicamento e inicia o tratamento conforme orientação médica, sempre integrado ao acompanhamento do oncologista. Existem caminhos que facilitam essa jornada: a Fito Canábica conecta pacientes a médicos prescritores qualificados, com consulta a partir de R$ 180.

Agende sua consulta com os médicos prescritores da Fito Canábica →

Leia também

Dr. Fabrício Pamplona é farmacologista e pesquisador brasileiro, Doutor em Psicofarmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria (Munique, Alemanha). Dedica-se há mais de 20 anos ao estudo do sistema endocanabinoide e ao desenvolvimento de terapias à base de Cannabis medicinal. Autor de mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais, é sócio da Fito Canábica e atua traduzindo a ciência da Cannabis para a prática clínica com linguagem acessível, responsabilidade e foco no paciente.

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Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal requer avaliação e prescrição de médico habilitado. Procure um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer tratamento. Em pacientes oncológicos, qualquer adição terapêutica deve ser discutida com o oncologista responsável, especialmente em vigência de quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia.

Referências

  1. Velasco G, Sánchez C, Guzmán M. Anticancer mechanisms of cannabinoids. Current Oncology. 2016;23(S2):S23–S32.
  2. Guzmán M, Duarte MJ, Blázquez C, et al. A pilot clinical study of Δ9-tetrahydrocannabinol in patients with recurrent glioblastoma multiforme. British Journal of Cancer. 2006;95(2):197–203.
  3. Twelves C, Sabel M, Checketts D, et al. A phase 1b randomised, placebo-controlled trial of nabiximols cannabinoid oromucosal spray with temozolomide in patients with recurrent glioblastoma. British Journal of Cancer. 2021;124(8):1379–1387.
  4. Johnson JR, Burnell-Nugent M, Lossignol D, et al. Multicenter, double-blind, randomized, placebo-controlled, parallel-group study of the efficacy, safety, and tolerability of THC:CBD extract and THC extract in patients with intractable cancer-related pain. Journal of Pain and Symptom Management. 2010;39(2):167–179.
  5. Grimison P, Mersiades A, Kirby A, et al. Oral THC:CBD cannabis extract for refractory chemotherapy-induced nausea and vomiting: a randomised, placebo-controlled, phase II crossover trial. Annals of Oncology. 2020;31(11):1553–1560.
  6. Good P, Haywood A, Gogna G, et al. Oral medicinal cannabinoids to relieve symptom burden in the palliative care of patients with advanced cancer: a double-blind, placebo-controlled, randomised clinical trial. BMC Palliative Care. 2020;19(1):143.
  7. Bar-Sela G, Cohen I, Campisi-Pinto S, et al. Cannabis Consumption Used by Cancer Patients during Immunotherapy Correlates with Poor Clinical Outcome. Cancers. 2020;12(9):2447.
  8. Abrams DI. Cannabis, Cannabinoids and Cannabis-Based Medicines in Cancer Care. Current Oncology. 2022;29(4):2530–2546.
  9. Navari RM, Aapro MS. Antiemetic Prophylaxis for Chemotherapy-Induced Nausea and Vomiting. New England Journal of Medicine. 2016;374(14):1356–1367. DOI: 10.1056/NEJMra1515442. PMID: 27050207.



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