A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa crônica e progressiva que afeta milhões de pessoas no mundo — e centenas de milhares de brasileiros. Junto com os tremores, a rigidez e a lentidão de movimentos que a tornam conhecida, ela carrega uma série de sintomas menos visíveis que muitas vezes pesam mais no dia a dia: distúrbios do sono, ansiedade, depressão, episódios psicóticos induzidos por medicamentos e a discinesia provocada pelo uso prolongado da levodopa. Nesse cenário, o canabidiol (CBD) tem sido cada vez mais procurado por pacientes e familiares — e estudado pela comunidade científica — como uma possível ferramenta complementar de tratamento.
Este guia reúne, de forma honesta e baseada em evidências, o que sabemos hoje sobre o uso do canabidiol na doença de Parkinson: para que ele realmente parece funcionar, onde a evidência ainda é fraca, como o médico costuma dosar, o que considerar nas interações com a levodopa e quais são os caminhos legais de acesso no Brasil.
⚠️ Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal no Parkinson exige avaliação por médico habilitado, especialmente pela alta probabilidade de interação com outros medicamentos antiparkinsonianos. Agende sua consulta com os médicos da Fito Canábica →
A Resposta Direta: O canabidiol ajuda no Parkinson?
A resposta honesta, baseada na ciência atual, é: sim, em algumas frentes — e com limites claros em outras. O canabidiol mostra evidência mais consistente em sintomas não motores do Parkinson, como o distúrbio comportamental do sono REM, ansiedade, episódios psicóticos e qualidade de vida geral. Para os sintomas motores clássicos (tremor, rigidez, bradicinesia), a evidência clínica robusta em humanos ainda é limitada — embora muitos pacientes relatem alívio na prática.
- Qualidade de vida e bem-estar: melhora significativa documentada em RCT brasileiro (Chagas et al., 2014a)¹
- Distúrbio comportamental do sono REM (RBD): redução de episódios agressivos noturnos (Chagas et al., 2014b)²
- Psicose induzida por levodopa: redução de sintomas psicóticos sem piorar a função motora (Zuardi et al., 2009)³
- Ansiedade e depressão: benefício consistente com a literatura geral de CBD em transtornos de humor
- Sintomas motores (tremor, rigidez): evidência clínica humana ainda limitada; canabinoides com THC podem ter papel
- Neuroproteção: sinais promissores em estudos pré-clínicos (Patricio et al., 2020)⁴, sem confirmação clínica até o momento
A maioria dos pacientes em tratamento bem conduzido relata ganhos perceptíveis em pelo menos um aspecto — geralmente sono, ansiedade ou qualidade de vida geral. A intensidade da resposta varia, e a expectativa precisa estar alinhada com o que a evidência sustenta.
O que é a doença de Parkinson e como o sistema endocanabinoide se relaciona com ela
A doença de Parkinson é causada pela degeneração progressiva de neurônios dopaminérgicos da substância negra, uma região do mesencéfalo responsável pelo controle de movimentos. À medida que esses neurônios morrem, a dopamina disponível no cérebro diminui — e os sintomas motores clássicos aparecem: tremor de repouso, rigidez muscular, lentidão de movimentos (bradicinesia) e instabilidade postural.
Mas o Parkinson não é apenas uma doença motora. Décadas antes do diagnóstico formal — e durante toda a evolução — os pacientes podem apresentar sintomas não motores que afetam profundamente a qualidade de vida: alterações do sono (incluindo o distúrbio comportamental do sono REM), depressão, ansiedade, constipação, perda de olfato, declínio cognitivo e, em estágios mais avançados, episódios psicóticos frequentemente desencadeados pela própria medicação dopaminérgica.
O sistema endocanabinoide e os gânglios da base
O sistema endocanabinoide está densamente presente justamente nas regiões cerebrais afetadas pelo Parkinson — substância negra, estriado e globo pálido. Receptores CB1 modulam a liberação de neurotransmissores envolvidos no controle motor (dopamina, glutamato, GABA). Isso fornece a base biológica que justifica o interesse científico em canabinoides para essa condição.
Além disso, o CBD age em outros alvos relevantes para o Parkinson:
- Receptores 5-HT1A (serotonina) — ansiólise, modulação de humor e potencial efeito sobre sintomas psicóticos
- Receptores TRPV1 — modulação de dor e função motora
- Ação antioxidante e anti-inflamatória — reduz estresse oxidativo e neuroinflamação, dois mecanismos centrais da neurodegeneração
- Modulação indireta de CB1/CB2 — sem se ligar diretamente, o CBD modula a sinalização endocanabinoide endógena
O que dizem os estudos científicos: tremores, discinesia, sono e qualidade de vida
A literatura clínica humana sobre CBD e Parkinson é pequena — menos de dez ensaios controlados de qualidade — mas concentrada em estudos brasileiros conduzidos por grupos respeitados (USP-Ribeirão Preto). Vale conhecer os principais.
RCT duplo-cego, N=21 pacientes com Parkinson sem comorbidades psiquiátricas. CBD 300 mg/dia por 6 semanas. Resultado: melhora significativa em bem-estar e qualidade de vida (PDQ-39) versus placebo. Sem diferença significativa em sintomas motores (UPDRS). Journal of Psychopharmacology.¹
Esse é o estudo mais citado quando se fala em CBD e Parkinson. Ele é honesto em duas direções: confirmou ganho em qualidade de vida, mas não mostrou melhora nos sintomas motores. Isso não significa que o CBD não tenha efeito motor em ninguém — significa que, na amostra estudada, com aquela dose, esse efeito não atingiu significância estatística.
Série de 4 casos. CBD reduziu a frequência de eventos comportamentais agressivos durante o sono REM em todos os pacientes, sem efeitos adversos significativos. Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics.²
O distúrbio comportamental do sono REM (RBD) é altamente prevalente no Parkinson e pode preceder o diagnóstico motor em vários anos. Pacientes “atuam” os sonhos: gritam, batem, chutam, podem se ferir ou ferir o cônjuge. É um sintoma angustiante para a família, e a série de casos do grupo de Chagas mostrou benefício claro do CBD nesse cenário — achado posteriormente reforçado por estudos com nabilona (Peball et al., 2020)⁵.
Estudo aberto, N=6 pacientes com Parkinson e sintomas psicóticos. CBD 150-400 mg/dia por 4 semanas reduziu significativamente sintomas psicóticos (BPRS e PPQ) sem piorar a função motora. Journal of Psychopharmacology.³
A psicose no Parkinson é frequentemente induzida ou agravada pela própria medicação dopaminérgica (levodopa, agonistas dopaminérgicos). O dilema clínico é grave: antipsicóticos clássicos pioram a função motora; reduzir a levodopa piora o controle do Parkinson. O CBD aparece como alternativa interessante justamente por reduzir sintomas psicóticos sem afetar a via dopaminérgica diretamente.
Estudo aberto de escalonamento, N=13. Avaliou tolerabilidade de doses progressivas (até unidades muito altas, padrão Epidiolex). Efeitos adversos mais comuns foram diarreia e elevação leve e reversível de enzimas hepáticas. CBD foi considerado seguro e bem tolerado. Cannabis and Cannabinoid Research.⁶
Esse estudo confirmou que mesmo doses bastante altas de CBD são toleradas por pacientes com Parkinson — informação importante porque a faixa terapêutica usual no manejo de sintomas (40-300 mg/dia totais) é muito inferior aos limites testados.
RCT com nabilona (canabinoide sintético análogo ao THC). Melhora significativa em sintomas não motores, incluindo ansiedade e distúrbios do sono. Annals of Neurology.⁵
Embora não seja CBD, esse estudo reforça que canabinoides em geral têm papel relevante em sintomas não motores do Parkinson — uma pista importante para o médico considerar formulações com pequenas frações de THC quando o quadro pede.
Revisão de evidências pré-clínicas. CBD reduz estresse oxidativo, neuroinflamação e modula receptores 5-HT1A em modelos animais de Parkinson. Os autores destacam que são necessários ensaios clínicos para confirmar o efeito neuroprotetor em humanos. Frontiers in Pharmacology.⁴
Aqui é fundamental separar evidência pré-clínica de evidência clínica. Em modelos animais, o CBD mostra sinais consistentes de neuroproteção. Em pacientes humanos, ainda não há ensaio clínico que demonstre alteração no curso da doença. Quem afirma que “CBD é neuroprotetor no Parkinson” está extrapolando — o correto é dizer que existem indícios pré-clínicos promissores que ainda precisam ser confirmados em humanos.
Discinesia induzida por levodopa
A discinesia (movimentos involuntários) é uma complicação frequente do uso prolongado da levodopa. Evidências clínicas sobre CBD especificamente para discinesia ainda são limitadas, mas modelos pré-clínicos e algumas séries de casos sugerem benefício potencial — tema explorado em mais profundidade no nosso artigo Canabidiol para Discinesia Induzida por Levodopa.
Dose de canabidiol no Parkinson: o que os estudos e a prática clínica mostram
A dose de canabidiol no Parkinson varia conforme o sintoma-alvo e o paciente. Na prática clínica, médicos prescritores trabalham com uma faixa terapêutica bem definida — sempre em mg totais por dia, com titulação gradual.
Faixas típicas de dose
| Fase do tratamento | Dose diária total | Aplicação clínica típica |
|---|---|---|
| Início (titulação) | 10-25 mg/dia | Primeiras 1-2 semanas, especialmente em idosos com polifarmácia |
| Manutenção comum | 40-150 mg/dia | Maioria dos pacientes — sono, ansiedade, qualidade de vida |
| Dose moderada-alta | 150-300 mg/dia | Psicose, RBD severo, casos refratários — referência: Chagas 2014a usou 300 mg/dia |
Conversão para gotas (referência prática)
Em um Full Spectrum 6000 mg/30 mL (200 mg/mL), 1 gota equivale a aproximadamente 4,4 mg de CBD. Em um produto 100 mg/mL, 1 gota equivale a aproximadamente 2,2 mg. Sempre considere a concentração específica do produto prescrito.
| Dose diária | Gotas/dia (200 mg/mL) | Duração frasco 6000 mg | Custo mensal estimado* |
|---|---|---|---|
| 50 mg/dia | ~11 gotas | ~120 dias | ~R$ 88/mês |
| 100 mg/dia | ~23 gotas | ~60 dias | ~R$ 175/mês |
| 150 mg/dia | ~34 gotas | ~40 dias | ~R$ 263/mês |
| 300 mg/dia | ~68 gotas | ~20 dias | ~R$ 525/mês |
*Referência Cannaviva Full Spectrum 6000 mg/30 mL a R$ 350; valor pode variar conforme marca, dose individual e perfil prescrito.
A dose final é sempre individualizada pelo médico — ver o satélite específico Dose de Canabidiol para Parkinson: Guia Prático e Quantas gotas de CBD por dia para Parkinson?.
Interações com levodopa, carbidopa e outros medicamentos antiparkinsonianos
Esse é um dos pontos mais importantes — e mais subestimados — sobre CBD no Parkinson. A maioria dos pacientes faz uso crônico de múltiplos medicamentos: levodopa+carbidopa, agonistas dopaminérgicos (pramipexol, rotigotina), inibidores da MAO-B (rasagilina, selegilina), inibidores da COMT (entacapona), amantadina, anticolinérgicos, antidepressivos e indutores do sono. Polifarmácia é regra, não exceção.
O CBD é metabolizado principalmente pelas enzimas hepáticas CYP3A4 e CYP2C19, e pode inibir parcialmente outras enzimas do sistema CYP. Isso significa que ele pode alterar a concentração sanguínea de medicamentos metabolizados pelas mesmas vias.
Levodopa
A levodopa não é metabolizada principalmente pelas enzimas CYP — sua interação farmacocinética direta com o CBD é considerada pequena. Porém, há outro ponto: ao aliviar sintomas como rigidez ou tremor (em alguns pacientes), ou ao reduzir ansiedade e melhorar o sono, o CBD pode indiretamente exigir reajuste de dose da levodopa pelo médico. Nunca alterar dose por conta própria.
Inibidores da MAO-B (rasagilina, selegilina)
O metabolismo pode envolver CYPs; a literatura é limitada, mas a recomendação prudente é introdução gradual de CBD com monitoramento clínico.
Antidepressivos e benzodiazepínicos
Muitos pacientes com Parkinson usam antidepressivos (sertralina, escitalopram, mirtazapina) ou benzodiazepínicos (clonazepam, sobretudo para RBD). O CBD pode aumentar discretamente os níveis sanguíneos de alguns deles via inibição de CYP. Em geral, o efeito clínico é modesto, mas é motivo válido para o médico iniciar com dose baixa e titular devagar.
- Levar ao médico prescritor a lista completa de medicamentos em uso
- Iniciar o CBD em dose baixa (10-25 mg/dia) e subir gradualmente
- Observar sinais de alteração no controle motor — pode indicar necessidade de reajuste da levodopa
- Não suspender, reduzir ou aumentar a levodopa por conta própria
- Manter neurologista e médico prescritor de cannabis em comunicação quando possível
Aprofundamos esse tópico em Canabidiol e Levodopa: Interações, Ajustes e Segurança e em Canabidiol pode ser usado junto com levodopa?.
Tempo para ver resultados e segurança a longo prazo
Cronologia esperada
Não há cronologia precisa estabelecida na literatura — a resposta varia por sintoma e por paciente. Padrões observados na prática clínica:
- Sono e ansiedade: primeiros sinais costumam aparecer em dias a 2-3 semanas
- Qualidade de vida geral: avaliada no estudo Chagas 2014a em 6 semanas
- RBD (sono REM): resposta nas primeiras semanas em geral
- Psicose: Zuardi 2009 observou melhora ao longo de 4 semanas
- Sintomas motores (quando há resposta): avaliação clínica costuma exigir semanas a meses de titulação
Mais detalhes em Em quanto tempo o canabidiol começa a fazer efeito no Parkinson?.
Segurança a longo prazo
O canabidiol tem um dos perfis de segurança mais favoráveis entre as opções terapêuticas estudadas no Parkinson. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2018)⁷, não há relato de morte por overdose de CBD em toda a literatura científica mundial. Efeitos adversos observados:
- Sonolência leve, especialmente no início (transitória)
- Boca seca
- Alteração de apetite
- Diarreia em doses altas
- Em doses muito elevadas (padrão Epidiolex), elevação leve e reversível de enzimas hepáticas — relatada por Leehey 2020⁶
Comparado a antipsicóticos clássicos (que pioram função motora no Parkinson), benzodiazepínicos (risco de queda, dependência, declínio cognitivo) e mesmo amantadina (alucinações, edema), o perfil do CBD é favorável — e essa é uma das razões pelas quais a cannabis medicinal ganha espaço crescente na neurologia geriátrica.
A Cannabis Medicinal representa uma alternativa com perfil de segurança favorável frente a diversas opções convencionais — e esse é um dos fatores que explica sua adoção crescente por médicos e pacientes ao redor do mundo. Sobre uso em idosos, ver Canabidiol é seguro para idosos com Parkinson?.
Caminhos de acesso: importação, associações, farmácias e perspectivas no SUS
No Brasil, há três caminhos principais para acesso legal ao canabidiol:
1. Importação direta (RDC 660/2022)
O paciente, com receita médica e autorização da Anvisa (processo orientado pela clínica/médico prescritor), importa produtos diretamente do exterior. É a via que oferece melhor custo-benefício para produtos Full Spectrum de alta concentração. Marcas como Cannaviva, Canna River e cbdMD são comumente acessadas por esse caminho.
2. Farmácias nacionais (produtos brasileiros)
Produtos como Prati-Donaduzzi e outros nacionais podem ser comprados diretamente em farmácias com receita. Vantagem: disponibilidade imediata, sem importação. Desvantagem: custo significativamente mais alto por mg de CBD em relação aos importados.
3. Associações de pacientes (RDC 327/2019)
Associações como ASPAEC, Abrace e Santa Cannabis oferecem acesso a óleos Full Spectrum nacionais via associação. Costuma ser uma via acessível, especialmente para tratamento contínuo.
SUS e CONITEC
Atualmente, o SUS não fornece canabidiol como medicamento padrão para Parkinson. Existem discussões legislativas (PL 2041 e propostas relacionadas) e análises da CONITEC sobre incorporação para condições específicas, mas até o momento o tratamento ocorre fora do SUS. Pacientes que conseguiram acesso pelo SUS o fizeram majoritariamente via judicialização. Mais sobre o tema em É possível conseguir canabidiol pelo SUS para Parkinson?.
Produtos de referência (parâmetro de custo, não recomendação)
Existem muitos medicamentos à base de Cannabis medicinal disponíveis no mercado. Os produtos citados neste artigo são mencionados como parâmetro ilustrativo de composição e faixa de preço — não constituem recomendação de compra. A escolha do medicamento, da dose e da via de acesso é sempre definida pelo médico prescritor com base no quadro clínico individual do paciente. As opções listadas servem para comparar composição e custo; o medicamento adequado — inclusive quando a resposta clínica exige outro perfil de canabinoides ou maior proporção de THC, como pode ocorrer em sintomas motores ou discinesia — é definido pelo médico com base na sua condição e evolução.
Concentração: 200 mg/mL. Indicado quando o objetivo é ter melhor custo por mg de CBD para tratamento contínuo. R$ 350
Mesma concentração da Cannaviva. R$ 377
Mesma quantidade total de CBD, volume maior. R$ 390
Combina CBD com CBG (analgésico/anti-inflamatório). Pode ser considerado pelo médico quando há dor e rigidez relevantes. R$ 338
Atenção: produto com THC acima de 0,3% (cerca de 2% de THC). Exige receita médica específica e processo regulatório próprio na Anvisa. Pode ser considerado em sintomas motores refratários, discinesia ou RBD severo, sempre sob avaliação especializada. R$ 450
Acesso a óleo Full Spectrum via associação. Taxa de associação a partir de R$ 30 (preços do óleo variam). A partir de R$ 30 (associação)
Comparativo aprofundado em Melhores Marcas de Canabidiol para Parkinson, Preço do Canabidiol para Parkinson e Qual o custo mensal do tratamento com canabidiol para Parkinson?.
Perguntas Frequentes
O canabidiol cura o Parkinson?
Não. O canabidiol não cura o Parkinson e nenhum estudo sério sugere isso. Ele atua como tratamento complementar para sintomas específicos — especialmente não motores, como distúrbios do sono, ansiedade, psicose e qualidade de vida — sem reverter a degeneração neuronal característica da doença. A pesquisa pré-clínica sugere ação neuroprotetora em modelos animais, mas isso ainda não foi confirmado em humanos.
O canabidiol reduz os tremores do Parkinson?
A evidência clínica humana para tremores especificamente ainda é limitada. O RCT mais citado (Chagas et al., 2014a) não encontrou diferença significativa em sintomas motores. Muitos pacientes relatam melhora subjetiva, possivelmente por redução da ansiedade que amplifica o tremor. Em casos refratários, médicos podem considerar formulações com pequenas frações de THC.
O canabidiol ajuda no distúrbio comportamental do sono REM (RBD)?
Sim, com evidência consistente. A série de casos de Chagas et al. (2014b) mostrou redução significativa dos episódios agressivos durante o sono REM em pacientes com Parkinson. É um dos achados mais consistentes do CBD nessa condição, frequentemente trazendo grande alívio para o paciente e o cônjuge.
O canabidiol melhora a psicose causada pela levodopa?
Sim. O estudo de Zuardi et al. (2009) mostrou que doses de 150-400 mg/dia de CBD por 4 semanas reduziram significativamente sintomas psicóticos sem piorar a função motora — vantagem clara sobre antipsicóticos clássicos, que tendem a agravar o quadro motor do Parkinson.
Quantas gotas de canabidiol por dia para Parkinson?
Depende da concentração do produto e da dose definida pelo médico. Em um produto Full Spectrum 6000 mg/30 mL (200 mg/mL), uma dose de 100 mg/dia equivale a aproximadamente 23 gotas/dia. O tratamento começa com 10-25 mg/dia (cerca de 3-6 gotas) e sobe gradualmente conforme orientação médica.
O canabidiol interage com a levodopa?
A interação farmacocinética direta com a levodopa é considerada pequena, pois ela não é metabolizada principalmente pelas mesmas enzimas hepáticas que o CBD. No entanto, ao melhorar sintomas, o CBD pode levar à necessidade de reajuste da dose de levodopa — sempre conduzido pelo médico, nunca por conta própria.
Em quanto tempo o canabidiol começa a fazer efeito no Parkinson?
Não há cronologia precisa estabelecida. Na prática, melhora de sono e ansiedade pode aparecer em dias a 2-3 semanas; resposta em RBD costuma ocorrer nas primeiras semanas; benefícios em qualidade de vida foram avaliados em 6 semanas no estudo Chagas 2014a; efeitos em psicose foram observados em 4 semanas (Zuardi 2009).
O canabidiol é seguro para idosos com Parkinson?
Sim, com perfil de segurança favorável. Não há relato de morte por overdose de CBD na literatura mundial (OMS, 2018). O estudo de Leehey et al. (2020) mostrou boa tolerabilidade mesmo em doses muito altas. A principal cautela é a polifarmácia comum no idoso — daí a importância de titulação gradual e supervisão médica.
Full Spectrum, Broad Spectrum ou Isolado: qual é melhor para Parkinson?
O Full Spectrum é o mais frequentemente prescrito por aproveitar o efeito entourage (sinergia entre canabinoides e terpenos). Em situações específicas de sensibilidade ao THC ou contraindicações ocupacionais, Broad Spectrum ou Isolado podem ser considerados. A decisão é do médico prescritor com base no perfil do paciente.
O canabidiol é neuroprotetor no Parkinson?
Em modelos pré-clínicos (animais), sim — há evidência consistente de redução de estresse oxidativo e neuroinflamação (Patricio et al., 2020). Em humanos, ainda não há ensaio clínico que comprove que o CBD altera o curso da doença. Quem afirma “CBD é neuroprotetor no Parkinson” sem essa ressalva está extrapolando os dados disponíveis.
Posso conseguir canabidiol pelo SUS para Parkinson?
Atualmente, o SUS não fornece canabidiol como tratamento padrão para Parkinson. Existem discussões na CONITEC e propostas legislativas, mas o acesso pelo SUS hoje ocorre majoritariamente por judicialização. As vias regulares são importação (RDC 660), farmácias nacionais e associações (RDC 327).
Qual o custo mensal do tratamento com canabidiol para Parkinson?
Em uma dose típica de manutenção de 100 mg/dia, com produto Full Spectrum 6000 mg de bom custo-benefício (referência: Cannaviva R$ 350), o custo mensal fica em torno de R$ 175. Para doses maiores ou produtos mais caros, pode variar bastante. O médico prescritor da Fito Canábica considera o custo no longo prazo na escolha do medicamento.
Como a Fito Canábica apoia pacientes com Parkinson e seus cuidadores
O tratamento com canabidiol é um tratamento sério que requer atenção profissional especializada. O melhor caminho começa pela consulta com um médico qualificado em prescrição de cannabis medicinal, preferencialmente com experiência em Parkinson e condições neurológicas. O médico avalia o caso, analisa os medicamentos em uso, define o produto e a dose-alvo e emite a receita. Depois disso, o paciente faz a aquisição do medicamento e inicia o tratamento conforme orientação médica. Existem caminhos que facilitam essa jornada: a Fito Canábica conecta pacientes a médicos prescritores qualificados, com consulta a partir de R$ 180.
O que a Fito oferece:
- Consulta com médicos prescritores experientes em cannabis medicinal — Victoria Taveira, Clara Calabrich, Diego Araldi e Nathalie Vestarp
- Orientação sobre escolha do produto considerando custo-benefício no tratamento contínuo (essencial em doença crônica como o Parkinson)
- Apoio para autorização Anvisa e importação quando essa for a via escolhida
- Acompanhamento farmacêutico durante a titulação
- Suporte por WhatsApp para dúvidas no dia a dia
- Consultas de retorno periódicas para ajustes
Agende sua consulta com os médicos prescritores da Fito Canábica →
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Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal requer avaliação e prescrição de médico habilitado. Procure um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer tratamento.
Referências:
- Chagas MH, Zuardi AW, Tumas V, et al. (2014). Effects of cannabidiol in the treatment of patients with Parkinson’s disease: an exploratory double-blind trial. Journal of Psychopharmacology, 28(11):1088-1098.
- Chagas MH, Eckeli AL, Zuardi AW, et al. (2014). Cannabidiol can improve complex sleep-related behaviours associated with rapid eye movement sleep behaviour disorder in Parkinson’s disease patients: a case series. Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics, 39(5):564-566.
- Zuardi AW, Crippa JA, Hallak JE, et al. (2009). Cannabidiol for the treatment of psychosis in Parkinson’s disease. Journal of Psychopharmacology, 23(8):979-983.
- Patricio F, Morales-Andrade AA, Patricio-Martínez A, Limón ID (2020). Cannabidiol as a Therapeutic Target: Evidence of its Neuroprotective and Neuromodulatory Function in Parkinson’s Disease. Frontiers in Pharmacology, 11:595635. DOI: 10.3389/fphar.2020.595635. PMID: 33390994.
- Peball M, Krismer F, Knaus HG, et al. (2020). Non-Motor Symptoms in Parkinson’s Disease are Reduced by Nabilone. Annals of Neurology, 88(4):712-722. DOI: 10.1002/ana.25864. PMID: 32705726.
- Leehey MA, Liu Y, Hart F, et al. (2020). Safety and Tolerability of Cannabidiol in Parkinson Disease: An Open Label, Dose-Escalation Study. Cannabis and Cannabinoid Research, 5(4):326-336. DOI: 10.1089/can.2019.0068. PMID: 33365623.
- World Health Organization (2018). Cannabidiol (CBD) Critical Review Report. WHO Expert Committee on Drug Dependence — 40th ECDD Meeting. Geneva: WHO.

