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Canabidiol e Parkinson: Guia Completo sobre Evidências, Benefícios, Dose e Acesso

Canabidiol e Parkinson

A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa crônica e progressiva que afeta milhões de pessoas no mundo — e centenas de milhares de brasileiros. Junto com os tremores, a rigidez e a lentidão de movimentos que a tornam conhecida, ela carrega uma série de sintomas menos visíveis que muitas vezes pesam mais no dia a dia: distúrbios do sono, ansiedade, depressão, episódios psicóticos induzidos por medicamentos e a discinesia provocada pelo uso prolongado da levodopa. Nesse cenário, o canabidiol (CBD) tem sido cada vez mais procurado por pacientes e familiares — e estudado pela comunidade científica — como uma possível ferramenta complementar de tratamento.

Este guia reúne, de forma honesta e baseada em evidências, o que sabemos hoje sobre o uso do canabidiol na doença de Parkinson: para que ele realmente parece funcionar, onde a evidência ainda é fraca, como o médico costuma dosar, o que considerar nas interações com a levodopa e quais são os caminhos legais de acesso no Brasil.

⚠️ Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal no Parkinson exige avaliação por médico habilitado, especialmente pela alta probabilidade de interação com outros medicamentos antiparkinsonianos. Agende sua consulta com os médicos da Fito Canábica →

A Resposta Direta: O canabidiol ajuda no Parkinson?

A resposta honesta, baseada na ciência atual, é: sim, em algumas frentes — e com limites claros em outras. O canabidiol mostra evidência mais consistente em sintomas não motores do Parkinson, como o distúrbio comportamental do sono REM, ansiedade, episódios psicóticos e qualidade de vida geral. Para os sintomas motores clássicos (tremor, rigidez, bradicinesia), a evidência clínica robusta em humanos ainda é limitada — embora muitos pacientes relatem alívio na prática.

O que a evidência sustenta hoje:
  • Qualidade de vida e bem-estar: melhora significativa documentada em RCT brasileiro (Chagas et al., 2014a)¹
  • Distúrbio comportamental do sono REM (RBD): redução de episódios agressivos noturnos (Chagas et al., 2014b)²
  • Psicose induzida por levodopa: redução de sintomas psicóticos sem piorar a função motora (Zuardi et al., 2009)³
  • Ansiedade e depressão: benefício consistente com a literatura geral de CBD em transtornos de humor
  • Sintomas motores (tremor, rigidez): evidência clínica humana ainda limitada; canabinoides com THC podem ter papel
  • Neuroproteção: sinais promissores em estudos pré-clínicos (Patricio et al., 2020)⁴, sem confirmação clínica até o momento

A maioria dos pacientes em tratamento bem conduzido relata ganhos perceptíveis em pelo menos um aspecto — geralmente sono, ansiedade ou qualidade de vida geral. A intensidade da resposta varia, e a expectativa precisa estar alinhada com o que a evidência sustenta.

O que é a doença de Parkinson e como o sistema endocanabinoide se relaciona com ela

A doença de Parkinson é causada pela degeneração progressiva de neurônios dopaminérgicos da substância negra, uma região do mesencéfalo responsável pelo controle de movimentos. À medida que esses neurônios morrem, a dopamina disponível no cérebro diminui — e os sintomas motores clássicos aparecem: tremor de repouso, rigidez muscular, lentidão de movimentos (bradicinesia) e instabilidade postural.

Mas o Parkinson não é apenas uma doença motora. Décadas antes do diagnóstico formal — e durante toda a evolução — os pacientes podem apresentar sintomas não motores que afetam profundamente a qualidade de vida: alterações do sono (incluindo o distúrbio comportamental do sono REM), depressão, ansiedade, constipação, perda de olfato, declínio cognitivo e, em estágios mais avançados, episódios psicóticos frequentemente desencadeados pela própria medicação dopaminérgica.

O sistema endocanabinoide e os gânglios da base

O sistema endocanabinoide está densamente presente justamente nas regiões cerebrais afetadas pelo Parkinson — substância negra, estriado e globo pálido. Receptores CB1 modulam a liberação de neurotransmissores envolvidos no controle motor (dopamina, glutamato, GABA). Isso fornece a base biológica que justifica o interesse científico em canabinoides para essa condição.

Além disso, o CBD age em outros alvos relevantes para o Parkinson:

  • Receptores 5-HT1A (serotonina) — ansiólise, modulação de humor e potencial efeito sobre sintomas psicóticos
  • Receptores TRPV1 — modulação de dor e função motora
  • Ação antioxidante e anti-inflamatória — reduz estresse oxidativo e neuroinflamação, dois mecanismos centrais da neurodegeneração
  • Modulação indireta de CB1/CB2 — sem se ligar diretamente, o CBD modula a sinalização endocanabinoide endógena
“O CBD não substitui a dopamina perdida no Parkinson — e nenhum estudo sério sugere isso. O que ele faz é atuar em vias paralelas: serotonina, estresse oxidativo, neuroinflamação e modulação do sistema endocanabinoide. Por isso a evidência mais sólida aparece em sintomas como sono, ansiedade e psicose, e não no tremor clássico. Entender essa lógica é o que separa expectativa realista de promessa exagerada.” — Dr. Fabrício Pamplona

O que dizem os estudos científicos: tremores, discinesia, sono e qualidade de vida

A literatura clínica humana sobre CBD e Parkinson é pequena — menos de dez ensaios controlados de qualidade — mas concentrada em estudos brasileiros conduzidos por grupos respeitados (USP-Ribeirão Preto). Vale conhecer os principais.

Chagas et al. (2014a) — Qualidade de vida
RCT duplo-cego, N=21 pacientes com Parkinson sem comorbidades psiquiátricas. CBD 300 mg/dia por 6 semanas. Resultado: melhora significativa em bem-estar e qualidade de vida (PDQ-39) versus placebo. Sem diferença significativa em sintomas motores (UPDRS). Journal of Psychopharmacology

Esse é o estudo mais citado quando se fala em CBD e Parkinson. Ele é honesto em duas direções: confirmou ganho em qualidade de vida, mas não mostrou melhora nos sintomas motores. Isso não significa que o CBD não tenha efeito motor em ninguém — significa que, na amostra estudada, com aquela dose, esse efeito não atingiu significância estatística.

Chagas et al. (2014b) — Sono REM (RBD)
Série de 4 casos. CBD reduziu a frequência de eventos comportamentais agressivos durante o sono REM em todos os pacientes, sem efeitos adversos significativos. Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics

O distúrbio comportamental do sono REM (RBD) é altamente prevalente no Parkinson e pode preceder o diagnóstico motor em vários anos. Pacientes “atuam” os sonhos: gritam, batem, chutam, podem se ferir ou ferir o cônjuge. É um sintoma angustiante para a família, e a série de casos do grupo de Chagas mostrou benefício claro do CBD nesse cenário — achado posteriormente reforçado por estudos com nabilona (Peball et al., 2020)⁵.

Zuardi et al. (2009) — Psicose no Parkinson
Estudo aberto, N=6 pacientes com Parkinson e sintomas psicóticos. CBD 150-400 mg/dia por 4 semanas reduziu significativamente sintomas psicóticos (BPRS e PPQ) sem piorar a função motora. Journal of Psychopharmacology

A psicose no Parkinson é frequentemente induzida ou agravada pela própria medicação dopaminérgica (levodopa, agonistas dopaminérgicos). O dilema clínico é grave: antipsicóticos clássicos pioram a função motora; reduzir a levodopa piora o controle do Parkinson. O CBD aparece como alternativa interessante justamente por reduzir sintomas psicóticos sem afetar a via dopaminérgica diretamente.

Leehey et al. (2020) — Segurança em escalonamento de dose
Estudo aberto de escalonamento, N=13. Avaliou tolerabilidade de doses progressivas (até unidades muito altas, padrão Epidiolex). Efeitos adversos mais comuns foram diarreia e elevação leve e reversível de enzimas hepáticas. CBD foi considerado seguro e bem tolerado. Cannabis and Cannabinoid Research.⁶

Esse estudo confirmou que mesmo doses bastante altas de CBD são toleradas por pacientes com Parkinson — informação importante porque a faixa terapêutica usual no manejo de sintomas (40-300 mg/dia totais) é muito inferior aos limites testados.

Peball et al. (2020) — Nabilona em sintomas não motores
RCT com nabilona (canabinoide sintético análogo ao THC). Melhora significativa em sintomas não motores, incluindo ansiedade e distúrbios do sono. Annals of Neurology.⁵

Embora não seja CBD, esse estudo reforça que canabinoides em geral têm papel relevante em sintomas não motores do Parkinson — uma pista importante para o médico considerar formulações com pequenas frações de THC quando o quadro pede.

Patricio et al. (2020) — Neuroproteção (revisão pré-clínica)
Revisão de evidências pré-clínicas. CBD reduz estresse oxidativo, neuroinflamação e modula receptores 5-HT1A em modelos animais de Parkinson. Os autores destacam que são necessários ensaios clínicos para confirmar o efeito neuroprotetor em humanos. Frontiers in Pharmacology.⁴

Aqui é fundamental separar evidência pré-clínica de evidência clínica. Em modelos animais, o CBD mostra sinais consistentes de neuroproteção. Em pacientes humanos, ainda não há ensaio clínico que demonstre alteração no curso da doença. Quem afirma que “CBD é neuroprotetor no Parkinson” está extrapolando — o correto é dizer que existem indícios pré-clínicos promissores que ainda precisam ser confirmados em humanos.

Discinesia induzida por levodopa

A discinesia (movimentos involuntários) é uma complicação frequente do uso prolongado da levodopa. Evidências clínicas sobre CBD especificamente para discinesia ainda são limitadas, mas modelos pré-clínicos e algumas séries de casos sugerem benefício potencial — tema explorado em mais profundidade no nosso artigo Canabidiol para Discinesia Induzida por Levodopa.

Dose de canabidiol no Parkinson: o que os estudos e a prática clínica mostram

A dose de canabidiol no Parkinson varia conforme o sintoma-alvo e o paciente. Na prática clínica, médicos prescritores trabalham com uma faixa terapêutica bem definida — sempre em mg totais por dia, com titulação gradual.

Faixas típicas de dose

Fase do tratamentoDose diária totalAplicação clínica típica
Início (titulação)10-25 mg/diaPrimeiras 1-2 semanas, especialmente em idosos com polifarmácia
Manutenção comum40-150 mg/diaMaioria dos pacientes — sono, ansiedade, qualidade de vida
Dose moderada-alta150-300 mg/diaPsicose, RBD severo, casos refratários — referência: Chagas 2014a usou 300 mg/dia
Sobre o estudo de Leehey (2020): esse ensaio de segurança testou doses muito superiores às tipicamente usadas no manejo de sintomas, partindo do padrão Epidiolex (medicamento para epilepsias raras). Em um paciente de 70 kg, os limites testados equivaleriam a aproximadamente 1.400-1.750 mg/dia — várias vezes acima do que se usa no Parkinson não epiléptico. A informação relevante para o paciente é que mesmo doses muito altas foram toleradas, com efeitos adversos leves e reversíveis. As doses reais de manejo continuam sendo 40-300 mg/dia totais.

Conversão para gotas (referência prática)

Em um Full Spectrum 6000 mg/30 mL (200 mg/mL), 1 gota equivale a aproximadamente 4,4 mg de CBD. Em um produto 100 mg/mL, 1 gota equivale a aproximadamente 2,2 mg. Sempre considere a concentração específica do produto prescrito.

Dose diáriaGotas/dia (200 mg/mL)Duração frasco 6000 mgCusto mensal estimado*
50 mg/dia~11 gotas~120 dias~R$ 88/mês
100 mg/dia~23 gotas~60 dias~R$ 175/mês
150 mg/dia~34 gotas~40 dias~R$ 263/mês
300 mg/dia~68 gotas~20 dias~R$ 525/mês

*Referência Cannaviva Full Spectrum 6000 mg/30 mL a R$ 350; valor pode variar conforme marca, dose individual e perfil prescrito.

A dose final é sempre individualizada pelo médico — ver o satélite específico Dose de Canabidiol para Parkinson: Guia Prático e Quantas gotas de CBD por dia para Parkinson?.

Interações com levodopa, carbidopa e outros medicamentos antiparkinsonianos

Esse é um dos pontos mais importantes — e mais subestimados — sobre CBD no Parkinson. A maioria dos pacientes faz uso crônico de múltiplos medicamentos: levodopa+carbidopa, agonistas dopaminérgicos (pramipexol, rotigotina), inibidores da MAO-B (rasagilina, selegilina), inibidores da COMT (entacapona), amantadina, anticolinérgicos, antidepressivos e indutores do sono. Polifarmácia é regra, não exceção.

O CBD é metabolizado principalmente pelas enzimas hepáticas CYP3A4 e CYP2C19, e pode inibir parcialmente outras enzimas do sistema CYP. Isso significa que ele pode alterar a concentração sanguínea de medicamentos metabolizados pelas mesmas vias.

Levodopa

A levodopa não é metabolizada principalmente pelas enzimas CYP — sua interação farmacocinética direta com o CBD é considerada pequena. Porém, há outro ponto: ao aliviar sintomas como rigidez ou tremor (em alguns pacientes), ou ao reduzir ansiedade e melhorar o sono, o CBD pode indiretamente exigir reajuste de dose da levodopa pelo médico. Nunca alterar dose por conta própria.

Inibidores da MAO-B (rasagilina, selegilina)

O metabolismo pode envolver CYPs; a literatura é limitada, mas a recomendação prudente é introdução gradual de CBD com monitoramento clínico.

Antidepressivos e benzodiazepínicos

Muitos pacientes com Parkinson usam antidepressivos (sertralina, escitalopram, mirtazapina) ou benzodiazepínicos (clonazepam, sobretudo para RBD). O CBD pode aumentar discretamente os níveis sanguíneos de alguns deles via inibição de CYP. Em geral, o efeito clínico é modesto, mas é motivo válido para o médico iniciar com dose baixa e titular devagar.

Regra prática para o paciente com Parkinson:
  1. Levar ao médico prescritor a lista completa de medicamentos em uso
  2. Iniciar o CBD em dose baixa (10-25 mg/dia) e subir gradualmente
  3. Observar sinais de alteração no controle motor — pode indicar necessidade de reajuste da levodopa
  4. Não suspender, reduzir ou aumentar a levodopa por conta própria
  5. Manter neurologista e médico prescritor de cannabis em comunicação quando possível

Aprofundamos esse tópico em Canabidiol e Levodopa: Interações, Ajustes e Segurança e em Canabidiol pode ser usado junto com levodopa?.

Tempo para ver resultados e segurança a longo prazo

Cronologia esperada

Não há cronologia precisa estabelecida na literatura — a resposta varia por sintoma e por paciente. Padrões observados na prática clínica:

  • Sono e ansiedade: primeiros sinais costumam aparecer em dias a 2-3 semanas
  • Qualidade de vida geral: avaliada no estudo Chagas 2014a em 6 semanas
  • RBD (sono REM): resposta nas primeiras semanas em geral
  • Psicose: Zuardi 2009 observou melhora ao longo de 4 semanas
  • Sintomas motores (quando há resposta): avaliação clínica costuma exigir semanas a meses de titulação

Mais detalhes em Em quanto tempo o canabidiol começa a fazer efeito no Parkinson?.

Segurança a longo prazo

O canabidiol tem um dos perfis de segurança mais favoráveis entre as opções terapêuticas estudadas no Parkinson. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2018)⁷, não há relato de morte por overdose de CBD em toda a literatura científica mundial. Efeitos adversos observados:

  • Sonolência leve, especialmente no início (transitória)
  • Boca seca
  • Alteração de apetite
  • Diarreia em doses altas
  • Em doses muito elevadas (padrão Epidiolex), elevação leve e reversível de enzimas hepáticas — relatada por Leehey 2020⁶

Comparado a antipsicóticos clássicos (que pioram função motora no Parkinson), benzodiazepínicos (risco de queda, dependência, declínio cognitivo) e mesmo amantadina (alucinações, edema), o perfil do CBD é favorável — e essa é uma das razões pelas quais a cannabis medicinal ganha espaço crescente na neurologia geriátrica.

A Cannabis Medicinal representa uma alternativa com perfil de segurança favorável frente a diversas opções convencionais — e esse é um dos fatores que explica sua adoção crescente por médicos e pacientes ao redor do mundo. Sobre uso em idosos, ver Canabidiol é seguro para idosos com Parkinson?.

Caminhos de acesso: importação, associações, farmácias e perspectivas no SUS

No Brasil, há três caminhos principais para acesso legal ao canabidiol:

1. Importação direta (RDC 660/2022)

O paciente, com receita médica e autorização da Anvisa (processo orientado pela clínica/médico prescritor), importa produtos diretamente do exterior. É a via que oferece melhor custo-benefício para produtos Full Spectrum de alta concentração. Marcas como Cannaviva, Canna River e cbdMD são comumente acessadas por esse caminho.

2. Farmácias nacionais (produtos brasileiros)

Produtos como Prati-Donaduzzi e outros nacionais podem ser comprados diretamente em farmácias com receita. Vantagem: disponibilidade imediata, sem importação. Desvantagem: custo significativamente mais alto por mg de CBD em relação aos importados.

3. Associações de pacientes (RDC 327/2019)

Associações como ASPAEC, Abrace e Santa Cannabis oferecem acesso a óleos Full Spectrum nacionais via associação. Costuma ser uma via acessível, especialmente para tratamento contínuo.

SUS e CONITEC

Atualmente, o SUS não fornece canabidiol como medicamento padrão para Parkinson. Existem discussões legislativas (PL 2041 e propostas relacionadas) e análises da CONITEC sobre incorporação para condições específicas, mas até o momento o tratamento ocorre fora do SUS. Pacientes que conseguiram acesso pelo SUS o fizeram majoritariamente via judicialização. Mais sobre o tema em É possível conseguir canabidiol pelo SUS para Parkinson?.

Produtos de referência (parâmetro de custo, não recomendação)

Existem muitos medicamentos à base de Cannabis medicinal disponíveis no mercado. Os produtos citados neste artigo são mencionados como parâmetro ilustrativo de composição e faixa de preço — não constituem recomendação de compra. A escolha do medicamento, da dose e da via de acesso é sempre definida pelo médico prescritor com base no quadro clínico individual do paciente. As opções listadas servem para comparar composição e custo; o medicamento adequado — inclusive quando a resposta clínica exige outro perfil de canabinoides ou maior proporção de THC, como pode ocorrer em sintomas motores ou discinesia — é definido pelo médico com base na sua condição e evolução.

Cannaviva — Full Spectrum CBD 6000 mg / 30 mL
Concentração: 200 mg/mL. Indicado quando o objetivo é ter melhor custo por mg de CBD para tratamento contínuo. R$ 350
cbdMD — Full Spectrum CBD 6000 mg / 30 mL
Mesma concentração da Cannaviva. R$ 377
Canna River — Full Spectrum Classic CBD 6000 mg / 60 mL
Mesma quantidade total de CBD, volume maior. R$ 390
Canna River Pain — Full Spectrum CBD 5000 mg + CBG 2500 mg / 60 mL
Combina CBD com CBG (analgésico/anti-inflamatório). Pode ser considerado pelo médico quando há dor e rigidez relevantes. R$ 338
Cannaviva — Full Spectrum CBD 600 mg + THC 600 mg / 30 mL
Atenção: produto com THC acima de 0,3% (cerca de 2% de THC). Exige receita médica específica e processo regulatório próprio na Anvisa. Pode ser considerado em sintomas motores refratários, discinesia ou RBD severo, sempre sob avaliação especializada. R$ 450
ASPAEC — Associação (RDC 327)
Acesso a óleo Full Spectrum via associação. Taxa de associação a partir de R$ 30 (preços do óleo variam). A partir de R$ 30 (associação)

Comparativo aprofundado em Melhores Marcas de Canabidiol para Parkinson, Preço do Canabidiol para Parkinson e Qual o custo mensal do tratamento com canabidiol para Parkinson?.

Perguntas Frequentes

O canabidiol cura o Parkinson?

Não. O canabidiol não cura o Parkinson e nenhum estudo sério sugere isso. Ele atua como tratamento complementar para sintomas específicos — especialmente não motores, como distúrbios do sono, ansiedade, psicose e qualidade de vida — sem reverter a degeneração neuronal característica da doença. A pesquisa pré-clínica sugere ação neuroprotetora em modelos animais, mas isso ainda não foi confirmado em humanos.

O canabidiol reduz os tremores do Parkinson?

A evidência clínica humana para tremores especificamente ainda é limitada. O RCT mais citado (Chagas et al., 2014a) não encontrou diferença significativa em sintomas motores. Muitos pacientes relatam melhora subjetiva, possivelmente por redução da ansiedade que amplifica o tremor. Em casos refratários, médicos podem considerar formulações com pequenas frações de THC.

O canabidiol ajuda no distúrbio comportamental do sono REM (RBD)?

Sim, com evidência consistente. A série de casos de Chagas et al. (2014b) mostrou redução significativa dos episódios agressivos durante o sono REM em pacientes com Parkinson. É um dos achados mais consistentes do CBD nessa condição, frequentemente trazendo grande alívio para o paciente e o cônjuge.

O canabidiol melhora a psicose causada pela levodopa?

Sim. O estudo de Zuardi et al. (2009) mostrou que doses de 150-400 mg/dia de CBD por 4 semanas reduziram significativamente sintomas psicóticos sem piorar a função motora — vantagem clara sobre antipsicóticos clássicos, que tendem a agravar o quadro motor do Parkinson.

Quantas gotas de canabidiol por dia para Parkinson?

Depende da concentração do produto e da dose definida pelo médico. Em um produto Full Spectrum 6000 mg/30 mL (200 mg/mL), uma dose de 100 mg/dia equivale a aproximadamente 23 gotas/dia. O tratamento começa com 10-25 mg/dia (cerca de 3-6 gotas) e sobe gradualmente conforme orientação médica.

O canabidiol interage com a levodopa?

A interação farmacocinética direta com a levodopa é considerada pequena, pois ela não é metabolizada principalmente pelas mesmas enzimas hepáticas que o CBD. No entanto, ao melhorar sintomas, o CBD pode levar à necessidade de reajuste da dose de levodopa — sempre conduzido pelo médico, nunca por conta própria.

Em quanto tempo o canabidiol começa a fazer efeito no Parkinson?

Não há cronologia precisa estabelecida. Na prática, melhora de sono e ansiedade pode aparecer em dias a 2-3 semanas; resposta em RBD costuma ocorrer nas primeiras semanas; benefícios em qualidade de vida foram avaliados em 6 semanas no estudo Chagas 2014a; efeitos em psicose foram observados em 4 semanas (Zuardi 2009).

O canabidiol é seguro para idosos com Parkinson?

Sim, com perfil de segurança favorável. Não há relato de morte por overdose de CBD na literatura mundial (OMS, 2018). O estudo de Leehey et al. (2020) mostrou boa tolerabilidade mesmo em doses muito altas. A principal cautela é a polifarmácia comum no idoso — daí a importância de titulação gradual e supervisão médica.

Full Spectrum, Broad Spectrum ou Isolado: qual é melhor para Parkinson?

O Full Spectrum é o mais frequentemente prescrito por aproveitar o efeito entourage (sinergia entre canabinoides e terpenos). Em situações específicas de sensibilidade ao THC ou contraindicações ocupacionais, Broad Spectrum ou Isolado podem ser considerados. A decisão é do médico prescritor com base no perfil do paciente.

O canabidiol é neuroprotetor no Parkinson?

Em modelos pré-clínicos (animais), sim — há evidência consistente de redução de estresse oxidativo e neuroinflamação (Patricio et al., 2020). Em humanos, ainda não há ensaio clínico que comprove que o CBD altera o curso da doença. Quem afirma “CBD é neuroprotetor no Parkinson” sem essa ressalva está extrapolando os dados disponíveis.

Posso conseguir canabidiol pelo SUS para Parkinson?

Atualmente, o SUS não fornece canabidiol como tratamento padrão para Parkinson. Existem discussões na CONITEC e propostas legislativas, mas o acesso pelo SUS hoje ocorre majoritariamente por judicialização. As vias regulares são importação (RDC 660), farmácias nacionais e associações (RDC 327).

Qual o custo mensal do tratamento com canabidiol para Parkinson?

Em uma dose típica de manutenção de 100 mg/dia, com produto Full Spectrum 6000 mg de bom custo-benefício (referência: Cannaviva R$ 350), o custo mensal fica em torno de R$ 175. Para doses maiores ou produtos mais caros, pode variar bastante. O médico prescritor da Fito Canábica considera o custo no longo prazo na escolha do medicamento.

Como a Fito Canábica apoia pacientes com Parkinson e seus cuidadores

O tratamento com canabidiol é um tratamento sério que requer atenção profissional especializada. O melhor caminho começa pela consulta com um médico qualificado em prescrição de cannabis medicinal, preferencialmente com experiência em Parkinson e condições neurológicas. O médico avalia o caso, analisa os medicamentos em uso, define o produto e a dose-alvo e emite a receita. Depois disso, o paciente faz a aquisição do medicamento e inicia o tratamento conforme orientação médica. Existem caminhos que facilitam essa jornada: a Fito Canábica conecta pacientes a médicos prescritores qualificados, com consulta a partir de R$ 180.

O que a Fito oferece:

  • Consulta com médicos prescritores experientes em cannabis medicinal — Victoria Taveira, Clara Calabrich, Diego Araldi e Nathalie Vestarp
  • Orientação sobre escolha do produto considerando custo-benefício no tratamento contínuo (essencial em doença crônica como o Parkinson)
  • Apoio para autorização Anvisa e importação quando essa for a via escolhida
  • Acompanhamento farmacêutico durante a titulação
  • Suporte por WhatsApp para dúvidas no dia a dia
  • Consultas de retorno periódicas para ajustes

Agende sua consulta com os médicos prescritores da Fito Canábica →

Leia também

Dr. Fabrício Pamplona é farmacologista e pesquisador brasileiro, Doutor em Psicofarmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria (Munique, Alemanha). Dedica-se há mais de 20 anos ao estudo do sistema endocanabinoide e ao desenvolvimento de terapias à base de Cannabis medicinal. Autor de mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais, é sócio da Fito Canábica e atua traduzindo a ciência da Cannabis para a prática clínica com linguagem acessível, responsabilidade e foco no paciente.

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Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal requer avaliação e prescrição de médico habilitado. Procure um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer tratamento.

Referências:

  1. Chagas MH, Zuardi AW, Tumas V, et al. (2014). Effects of cannabidiol in the treatment of patients with Parkinson’s disease: an exploratory double-blind trial. Journal of Psychopharmacology, 28(11):1088-1098.
  2. Chagas MH, Eckeli AL, Zuardi AW, et al. (2014). Cannabidiol can improve complex sleep-related behaviours associated with rapid eye movement sleep behaviour disorder in Parkinson’s disease patients: a case series. Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics, 39(5):564-566.
  3. Zuardi AW, Crippa JA, Hallak JE, et al. (2009). Cannabidiol for the treatment of psychosis in Parkinson’s disease. Journal of Psychopharmacology, 23(8):979-983.
  4. Patricio F, Morales-Andrade AA, Patricio-Martínez A, Limón ID (2020). Cannabidiol as a Therapeutic Target: Evidence of its Neuroprotective and Neuromodulatory Function in Parkinson’s Disease. Frontiers in Pharmacology, 11:595635. DOI: 10.3389/fphar.2020.595635. PMID: 33390994.
  5. Peball M, Krismer F, Knaus HG, et al. (2020). Non-Motor Symptoms in Parkinson’s Disease are Reduced by Nabilone. Annals of Neurology, 88(4):712-722. DOI: 10.1002/ana.25864. PMID: 32705726.
  6. Leehey MA, Liu Y, Hart F, et al. (2020). Safety and Tolerability of Cannabidiol in Parkinson Disease: An Open Label, Dose-Escalation Study. Cannabis and Cannabinoid Research, 5(4):326-336. DOI: 10.1089/can.2019.0068. PMID: 33365623.
  7. World Health Organization (2018). Cannabidiol (CBD) Critical Review Report. WHO Expert Committee on Drug Dependence — 40th ECDD Meeting. Geneva: WHO.
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