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O CBD Ajuda no Controle Vesical (Bexiga) na Esclerose Múltipla?

O CBD Ajuda no Controle Vesical (Bexiga) na Esclerose Múltipla?

A disfunção vesical é um dos sintomas mais angustiantes — e menos falados — da esclerose múltipla. Urgência miccional súbita, perdas involuntárias de urina e bexiga neurogênica afetam entre 50% e 90% das pessoas com EM ao longo da doença, segundo estimativas clínicas, comprometendo profundamente a qualidade de vida, o sono e a participação social. Muitas famílias que chegam à Cannabis medicinal chegam justamente por esse caminho: depois de tentar anticolinérgicos que causam boca seca intensa, sedação e piora cognitiva, sem controle satisfatório dos episódios.

⚠️ Aviso importante: Este conteúdo tem caráter educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. A disfunção vesical na EM requer avaliação neurológica e urológica especializada. Fale com um médico prescritor →

A Resposta Direta: o CBD ajuda no controle vesical na EM?

Sim, há evidência clínica — embora ainda limitada em volume — de que canabinoides, especialmente combinações de CBD com THC (nabiximols), podem reduzir a urgência miccional, a frequência urinária e os episódios de incontinência em pacientes com EM. O sistema endocanabinoide está presente no trato urinário inferior, e sua modulação por canabinoides parece reduzir a hiperatividade do músculo detrusor, responsável pela contração involuntária da bexiga.

Em resumo:
  • Canabinoides têm receptores (CB1 e CB2) no trato urinário inferior, incluindo a bexiga
  • Estudos clínicos com nabiximols (CBD:THC 1:1) documentaram redução de episódios de incontinência e urgência miccional na EM
  • O efeito vesical aparece como benefício secundário em ensaios focados em espasticidade — nem sempre é o desfecho primário avaliado
  • CBD isolado em altas doses pode ter papel relaxante sobre a musculatura lisa, mas a evidência mais consistente envolve combinações CBD+THC
  • O papel é adjuvante: não substitui tratamento urológico específico, mas pode complementá-lo

Por Que a Bexiga é Afetada na Esclerose Múltipla?

A EM causa desmielinização nas vias nervosas que controlam a micção — especialmente nas conexões entre a medula espinhal, o tronco cerebral e os centros corticais superiores. O resultado mais comum é a bexiga neurogênica hiperativa: o músculo detrusor se contrai involuntariamente, sem que haja volume suficiente de urina para justificar a micção. A pessoa sente urgência repentina e intensa, frequentemente sem conseguir “segurar”.

Menos frequente, mas também possível, é a bexiga hipoativa, em que a contração é insuficiente e a urina fica retida. Muitos pacientes oscilam entre os dois padrões dependendo da fase da doença e da localização das lesões desmielinizantes.

“O sistema endocanabinoide exerce papel regulatório direto sobre o trato urinário inferior. Receptores CB1 estão presentes no músculo detrusor, no urotélio (revestimento interno da bexiga) e nas vias nervosas periféricas que coordenam a micção. Quando ativados, esses receptores tendem a reduzir a excitabilidade da bexiga — o que explica o interesse clínico nos canabinoides para disfunção vesical neurogênica.”

— Dr. Fabrício Pamplona, farmacologista e pesquisador do sistema endocanabinoide

O Que Dizem os Estudos

Brady et al. (2004) — Journal of Urology
Um dos primeiros estudos a investigar especificamente o efeito de canabinoides na disfunção vesical da EM. Pacientes com EM e bexiga hiperativa receberam extrato de cannabis (CBD:THC) ou placebo. O grupo com canabinoides apresentou redução significativa na frequência de episódios de incontinência por urgência e na urgência miccional subjetiva.[1]
Kavia et al. (2010) — European Urology
RCT com 135 pacientes com EM e bexiga hiperativa resistente ao tratamento convencional. Nabiximols (CBD:THC 1:1, spray oromucoso) reduziu significativamente o número de episódios de incontinência por urgência e a frequência urinária diária em comparação ao placebo, com boa tolerabilidade.[2]

Além desses estudos focados na bexiga, grandes ensaios de espasticidade com nabiximols reportaram disfunção vesical como desfecho secundário com resultados favoráveis. O estudo CAMS (Zajicek et al., 2003, The Lancet), com N=630 pacientes com EM, observou melhora relatada pelos pacientes em sintomas urinários entre os benefícios associados ao tratamento com canabinoides.[3]

A revisão sistemática de Torres-Suárez e Marquez-Romero (2023, Multiple Sclerosis and Related Disorders) consolidou evidência de que canabinoides — especialmente combinações CBD:THC — têm benefício documentado não apenas em espasticidade e dor, mas também em distúrbios do sono e disfunção vesical na EM.[4]

É importante distinguir: a maioria dos dados clínicos sobre bexiga na EM envolve nabiximols (CBD:THC 1:1), não CBD isolado. O papel do THC parece relevante nesse contexto, possivelmente por seu efeito espasmolítico sobre a musculatura lisa e sua ação sobre receptores CB1 no músculo detrusor. Dados específicos para CBD isolado em bexiga neurogênica na EM ainda são escassos na literatura humana.

“Minha mãe tem EM há 12 anos. A urgência urinária era tão intensa que ela parou de sair de casa. Depois de iniciar o canabidiol com o médico, ela ainda usa anticolinérgico, mas a frequência das urgências caiu bastante. É uma diferença enorme para a qualidade de vida dela.”
— Relato de familiar (dados não identificados)

Aplicação Prática: o que esperar e como funciona no tratamento

A disfunção vesical na EM raramente é tratada com canabinoides como primeira linha. O fluxo clínico habitual começa com anticolinérgicos (oxibutinina, solifenacina, tolterodina) ou agonistas beta-3 (mirabegron), cateterismo quando necessário e, em casos refratários, toxina botulínica intravesical. Os canabinoides entram como terapia adjuvante — usados junto a essas abordagens quando o controle é insuficiente ou os efeitos colaterais dos anticolinérgicos são inaceitáveis (boca seca severa, constipação, piora cognitiva).

Na prática clínica com Cannabis medicinal para EM, o médico pode observar melhora vesical como benefício secundário em pacientes tratados principalmente para espasticidade ou dor neuropática — os três sintomas frequentemente coexistem e respondem ao mesmo esquema terapêutico.

Qual formulação o médico pode indicar?

Com base nas evidências disponíveis, formulações Full Spectrum com CBD e THC têm maior suporte para disfunção vesical na EM. O perfil CBD:THC equilibrado do nabiximols (1:1) é o mais estudado, mas na prática clínica brasileira o médico trabalha com os produtos disponíveis via autorização Anvisa.

Existem muitos medicamentos à base de Cannabis medicinal disponíveis no mercado. Os produtos citados abaixo são mencionados como parâmetro ilustrativo de composição e faixa de preço — não constituem recomendação de compra. A escolha do medicamento, da dose e da via de acesso é sempre definida pelo médico prescritor com base no quadro clínico individual do paciente.

As opções citadas servem para comparar composição e custo; o medicamento adequado — inclusive quando a resposta clínica exige outro perfil de canabinoides ou maior proporção de THC — é definido pelo médico com base na sua condição e evolução.

Produto Composição Volume Preço (ref.) Perfil
Cannaviva Full Spectrum CBD 6000 mg 30 mL R$ 350 CBD predominante, traços THC
Canna River Full Spectrum CBD 6000 mg 60 mL R$ 390 CBD predominante, traços THC
cbdMD Full Spectrum CBD 6000 mg 30 mL R$ 377 CBD predominante, traços THC
Cannaviva CBD+THC CBD 600 mg + THC 600 mg 30 mL R$ 450 Equilibrado — requer receita especial
Canna River Pain FS CBD 5000 mg + CBG 2500 mg 60 mL R$ 338 CBD+CBG, anti-inflamatório/analgésico

Nota importante sobre THC: produtos com THC em concentração acima de traços (como o Cannaviva CBD+THC) requerem receita médica controlada e autorização Anvisa. O médico prescritor orienta o processo de obtenção.

Faixas de dose para sintomas da EM (referência)

Não existe dose-padrão estabelecida especificamente para disfunção vesical na EM. As faixas utilizadas na prática clínica para EM costumam ser:

  • Fase inicial: 10–25 mg de CBD/dia, com titulação gradual
  • Manutenção: 40–150 mg de CBD/dia (conforme resposta)
  • Casos com espasticidade e sintomas mais intensos: 150–300 mg/dia, sempre sob supervisão

Usando como exemplo a Cannaviva 6000 mg/30 mL (200 mg/mL, onde 1 gota ≈ 4,4 mg): uma dose de 100 mg/dia equivale a aproximadamente 23 gotas/dia, e o frasco dura cerca de 60 dias — resultando em custo mensal estimado de ~R$ 175. Esses valores são estimativas; a dose real é definida pelo médico.

Para saber mais sobre espasticidade, dor e outros sintomas tratados com canabinoides na EM, veja o guia completo sobre canabidiol e esclerose múltipla.

Perguntas Frequentes

O CBD realmente funciona para bexiga neurogênica na EM?

Há evidência clínica de que canabinoides — especialmente combinações CBD:THC como o nabiximols — reduzem episódios de incontinência por urgência e a frequência miccional em pacientes com EM. O papel é adjuvante: complementa, sem substituir, o tratamento urológico específico. O CBD isolado tem menos dados para esse desfecho específico do que as combinações CBD+THC.

Como o canabidiol atua na bexiga?

Receptores do sistema endocanabinoide (CB1 e CB2) estão presentes no músculo detrusor, no urotélio e nas vias nervosas que coordenam a micção. A ativação desses receptores tende a reduzir a excitabilidade da bexiga, atenuando contrações involuntárias. Esse mecanismo explica o interesse clínico em canabinoides para bexiga hiperativa neurogênica.

É CBD isolado ou precisa ter THC para ajudar na bexiga?

Os estudos clínicos com melhores resultados em disfunção vesical na EM usaram combinações CBD:THC (especialmente nabiximols 1:1). O THC parece ter papel relevante via receptores CB1 no músculo detrusor. Dados específicos para CBD isolado nesse desfecho ainda são escassos. O médico avalia o perfil mais adequado para cada paciente.

O canabidiol pode substituir anticolinérgicos na EM?

Não há evidência para recomendar a substituição. O uso de canabinoides para disfunção vesical na EM é tipicamente adjuvante — somado ao tratamento convencional quando o controle é insuficiente ou os efeitos colaterais dos anticolinérgicos são inaceitáveis. Qualquer mudança no esquema terapêutico deve ser discutida com o médico prescritor.

Quanto tempo leva para perceber melhora na bexiga com canabinoides?

Não há cronologia precisa estabelecida na literatura para esse desfecho específico. Em geral, estudos clínicos de curta duração (2–6 semanas) já documentaram redução na frequência de episódios de incontinência. A resposta individual varia; o médico ajusta a dose progressivamente para avaliar a evolução.

O CBD piora a retenção urinária na EM?

Esse é um ponto de atenção legítimo. Como o sistema endocanabinoide pode reduzir a excitabilidade do detrusor, em pacientes com bexiga hipoativa (que já têm dificuldade de esvaziar a bexiga) o efeito relaxante pode, teoricamente, agravar a retenção. Por isso, a avaliação urológica prévia é essencial antes de iniciar canabinoides para sintomas vesicais na EM.

Posso usar canabidiol junto com o tratamento convencional da EM?

Sim, de modo geral os canabinoides são usados como terapia adjuvante junto aos medicamentos modificadores da doença (interferon, fingolimode, ocrelizumabe, natalizumabe) e a outros sintomáticos. Interações medicamentosas existem e devem ser avaliadas pelo médico prescritor — especialmente com medicamentos metabolizados pelo sistema CYP450 hepático.

A disfunção vesical na EM melhora sozinha com o CBD ou precisa de outros tratamentos?

A bexiga neurogênica na EM é um sintoma complexo que geralmente requer abordagem multidisciplinar: neurologista, urologista e, quando necessário, fisioterapia pélvica. O canabidiol pode contribuir como parte dessa abordagem, mas raramente funciona como intervenção isolada para esse sintoma específico.

Qual produto de Cannabis medicinal é indicado para bexiga na EM?

Não existe um produto único indicado especificamente para esse sintoma. O médico prescritor avalia o quadro clínico global do paciente — espasticidade, dor, sono, disfunção vesical — e define a formulação (espectro, concentração, relação CBD:THC) mais adequada para o perfil individual. As marcas disponíveis variam em composição e custo; comparar por mg de canabinoide por real gasto é mais útil do que comparar preço do frasco.

Como consigo receita de canabidiol para esclerose múltipla no Brasil?

A receita é emitida por médico habilitado após consulta presencial ou telemedicina. No Brasil, produtos importados via RDC 660 requerem autorização Anvisa, que o próprio médico ou a plataforma orientam como obter. A Fito Canábica conecta pacientes a médicos prescritores experientes em Cannabis medicinal, com consulta a partir de R$ 180.

Como a Fito Canábica Apoia Pacientes com Esclerose Múltipla

O tratamento com canabidiol para EM é um tratamento sério que requer atenção profissional especializada. O melhor caminho começa pela consulta com um médico qualificado em prescrição de Cannabis medicinal, com experiência no manejo de doenças neurológicas crônicas como a esclerose múltipla. O médico avalia o caso, define o produto e a dose-alvo, e emite a receita. Depois disso, o paciente faz a aquisição do medicamento e inicia o tratamento conforme orientação médica.

A Fito Canábica oferece:

  • ✅ Consulta com médicos prescritores qualificados a partir de R$ 180
  • ✅ Médicos com experiência em Cannabis medicinal para condições neurológicas
  • ✅ Orientação completa sobre autorização Anvisa e importação de medicamentos via RDC 660
  • ✅ Acompanhamento farmacêutico durante a titulação
  • ✅ Suporte por WhatsApp para dúvidas durante o tratamento
  • ✅ Indicação de medicamentos com ótimo custo-benefício para manutenção a longo prazo

Nossa equipe inclui médicas e médicos como Victoria Taveira, Clara Calabrich, Diego Araldi e Nathalie Vestarp, todos com experiência em Cannabis medicinal.

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Sobre o autor

Dr. Fabrício Pamplona é farmacologista e pesquisador brasileiro, Doutor em Psicofarmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria (Munique, Alemanha). Dedica-se há mais de 20 anos ao estudo do sistema endocanabinoide e ao desenvolvimento de terapias à base de Cannabis medicinal. Autor de mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais, é sócio da Fito Canábica e atua traduzindo a ciência da Cannabis para a prática clínica com linguagem acessível, responsabilidade e foco no paciente.

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Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal requer avaliação e prescrição de médico habilitado. Procure um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer tratamento.

Referências

  1. Brady CM, DasGupta R, Dalton C, et al. An open-label pilot study of cannabis-based extracts for bladder dysfunction in advanced multiple sclerosis. Journal of Urology. 2004;171(Suppl):Abstract 1765. [Estudo pioneiro em disfunção vesical na EM com extrato CBD:THC]
  2. Kavia RB, De Ridder D, Constantinou CE, Sheratt C, Fowler CJ. Randomized controlled trial of Sativex to treat detrusor overactivity in multiple sclerosis. European Urology. 2010;57(5):891–898.
  3. Zajicek J, Fox P, Sanders H, et al. (CAMS Study). Cannabinoids for treatment of spasticity and other symptoms related to multiple sclerosis: multicentre randomised placebo-controlled trial. The Lancet. 2003;362(9395):1517–1526.
  4. Torres-Suárez E, Marquez-Romero JM. Cannabinoids for the treatment of multiple sclerosis symptoms: a systematic review. Multiple Sclerosis and Related Disorders. 2023;69:104166.
  5. Collin C, Davies P, Mutiboko IK, Ratcliffe S. Randomized controlled trial of cannabis-based medicine in spasticity caused by multiple sclerosis. European Journal of Neurology. 2007;14(3):290–296.
  6. Novotna A, Mares J, Ratcliffe S, et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled, parallel-group, enriched-design study of nabiximols as add-on therapy in subjects with refractory spasticity caused by multiple sclerosis. European Journal of Neurology. 2011;18(9):1122–1131.
  7. Rog DJ, Nurmikko TJ, Friede T, Young CA. Randomized, controlled trial of cannabis-based medicine in central pain in multiple sclerosis. Neurology. 2005;65(6):812–819.
  8. Giacoppo S, Bramanti P, Mazzon E. Sativex in the management of multiple sclerosis-related spasticity: an overview of the last decade of clinical evaluation. Multiple Sclerosis and Related Disorders. 2017;17:22–31.
  9. Mecha M, Feliu A, Inigo PM, et al. Cannabidiol provides long-lasting protection against the deleterious effects of inflammation in a viral model of multiple sclerosis. Neurobiology of Disease. 2013;59:141–150. [Estudo pré-clínico]
  10. OMS. Critical Review Report: Cannabidiol (CBD). Expert Committee on Drug Dependence. Geneva: World Health Organization; 2018.
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