A menopausa é uma transição fisiológica natural — e, para boa parte das mulheres, profundamente desconfortável. Fogachos que acordam no meio da noite, insônia que se arrasta por semanas, ansiedade que parece ter surgido do nada, irritabilidade, queda da libido, dor nas articulações, “brain fog”. Para muitas, a terapia de reposição hormonal (TRH) resolve grande parte do problema. Para outras — seja por contraindicação, por escolha pessoal ou porque a TRH não cobriu todos os sintomas — fica a pergunta: existe alternativa séria e baseada em evidência?
O canabidiol (CBD) entrou nessa conversa nos últimos anos. Não como milagre, e não como substituto universal da reposição hormonal — mas como uma ferramenta com mecanismo biológico plausível, perfil de segurança favorável e evidência crescente para os três sintomas que mais incomodam: sono ruim, ansiedade/humor e dor.
⚠️ Aviso importante: Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica. O tratamento de sintomas da menopausa com Cannabis medicinal exige avaliação individual por médico prescritor. Agende sua consulta com a Fito Canábica →
A Resposta Direta: O canabidiol funciona para os sintomas da menopausa?
A evidência disponível hoje aponta nesta direção:
- Sono e insônia: evidência mais consistente. Em série de 72 pacientes adultos, 66,7% relataram melhora do sono no primeiro mês com CBD entre 25 e 75 mg/dia (Shannon et al., 2019). Em pesquisa específica com 258 mulheres em peri e pós-menopausa, distúrbios do sono foram o motivo mais comum de uso de Cannabis medicinal — 67% (Dahlgren et al., 2022).
- Ansiedade, irritabilidade e humor: evidência boa. 79,2% dos pacientes adultos do estudo de Shannon (2019) relataram redução da ansiedade no primeiro mês. Entre as mulheres do levantamento de Dahlgren (2022), 46% usavam Cannabis para alterações de humor e ansiedade.
- Fogachos (sintomas vasomotores): evidência preliminar e indireta. Estudos observacionais sugerem alívio percebido (Slavin et al., 2016; Dahlgren et al., 2022), mas não existem ensaios clínicos randomizados robustos confirmando efeito direto do CBD sobre as ondas de calor.
- Dor articular, muscular e dispareunia: evidência indireta, vinda da literatura de dor crônica e fibromialgia. O mecanismo é plausível e clinicamente útil, mas falta RCT específico em menopausa.
Em resumo honesto: o CBD é uma ferramenta útil para sono, ansiedade e — para parte das mulheres — para dor articular e desconforto geral do climatério. Para fogachos isolados, a evidência ainda é preliminar; muitas relatam alívio, mas a ciência ainda precisa confirmar via ensaios controlados. E para nenhuma dessas queixas o CBD substitui automaticamente a terapia de reposição hormonal — a decisão entre TRH, CBD, ambos ou nenhum é clínica, individual e deve ser tomada com o médico.
Menopausa e sistema endocanabinoide: por que o CBD pode ajudar
Para entender por que o canabidiol é investigado na menopausa, é preciso entender o sistema endocanabinoide (SEC) — uma rede de receptores (CB1 e CB2) e moléculas naturais (endocanabinoides como a anandamida) que o corpo usa para regular sono, humor, dor, temperatura, apetite, função imune e resposta ao estresse.
O ponto crítico para a menopausa é este: o estrogênio modula diretamente o sistema endocanabinoide. Receptores CB1 são influenciados por estrogênio, e os níveis de anandamida flutuam ao longo do ciclo menstrual. Com a queda do estrogênio na perimenopausa e menopausa, o sistema endocanabinoide perde parte da sua regulação fisiológica — o que pode contribuir para a constelação de sintomas que caracteriza essa fase (Reich & Mędrek, 2023).
Essa é a base teórica de algo chamado “deficiência endocanabinoide clínica” — hipótese proposta por Ethan Russo e refinada ao longo de duas décadas. Segundo essa hipótese, alguns quadros que se sobrepõem fortemente à menopausa — enxaqueca, fibromialgia, síndrome do intestino irritável, dor crônica difusa — podem refletir um sistema endocanabinoide subativado (Russo, 2016). E, se há deficiência, faz sentido investigar canabinoides como apoio terapêutico.
— Dr. Fabrício Pamplona, farmacologista, PhD em Psicofarmacologia (UFSC + Max Planck)
Importante: o CBD não é um hormônio e não repõe estrogênio. Ele atua em um sistema paralelo — modulando ansiólise via receptores 5-HT1A (serotonina), reduzindo inflamação via CB2, e potencializando indiretamente a sinalização endocanabinoide ao inibir a enzima FAAH (que degrada a anandamida). É um caminho diferente da TRH e, por isso, em muitos casos os dois tratamentos são complementares, não excludentes.
O que dizem os estudos científicos sobre CBD e menopausa
A literatura específica sobre CBD em menopausa ainda é jovem. A maior parte da evidência é (1) observacional/survey, (2) indireta — vinda de estudos em ansiedade, sono e dor — ou (3) revisões mecanísticas. Não há, até o momento, ensaios clínicos randomizados controlados de grande porte específicos para CBD na menopausa. Essa é uma limitação real, e a redação séria sobre o tema precisa reconhecê-la.
Apesar dessa limitação, os achados convergem em uma direção positiva. Os principais estudos:
Dahlgren MK et al. (2022) — Menopause
Pesquisa com 258 mulheres na perimenopausa e pós-menopausa. Entre as usuárias de cannabis medicinal, os motivos principais foram distúrbios do sono (67%) e alterações de humor/ansiedade (46%). As autoras concluem que o uso é frequente e percebido como útil pelas pacientes, mas reforçam a necessidade de ensaios clínicos controlados.
Shannon S et al. (2019) — The Permanente Journal
Série de 72 pacientes adultos tratados com CBD para ansiedade e/ou problemas de sono, dose entre 25 e 75 mg/dia. No primeiro mês: 79,2% relataram redução da ansiedade e 66,7% relataram melhora do sono. Não é estudo específico em menopausa, mas a dose e os desfechos são exatamente os relevantes para sintomas do climatério.
Babson KA et al. (2017) — Current Psychiatry Reports
Revisão sobre cannabis, canabinoides e sono. CBD aparece com sinalização positiva para latência (tempo para adormecer) e qualidade do sono em diferentes populações, com perfil de segurança favorável. Diretamente aplicável às queixas de insônia da menopausa.
Slavin MN, Farmer S, Earleywine M (2016) — Addiction Research & Theory
Estudo observacional sugerindo associação entre uso de cannabis e percepção de alívio de sintomas vasomotores e de humor na menopausa. Evidência preliminar, baseada em autorrelato — útil como sinalização, insuficiente como prova definitiva.
Reich A & Mędrek K (2023) — Climacteric
Revisão narrativa sobre a interação entre sistema endocanabinoide e flutuações hormonais. Argumenta que receptores CB1/CB2 são modulados por estrogênio e que o declínio estrogênico na menopausa pode causar um estado de “deficiência endocanabinoide clínica”, justificando a investigação de canabinoides para sintomas vasomotores, humor e dor.
Russo EB (2016) — Cannabis and Cannabinoid Research
Atualização da hipótese de deficiência endocanabinoide clínica, com foco em enxaqueca, fibromialgia e SII — condições que frequentemente se sobrepõem ou se intensificam na menopausa. Suporta o racional teórico para uso de canabinoides no climatério.
O que esse conjunto permite afirmar com responsabilidade:
- Há mecanismo biológico plausível conectando declínio estrogênico, sistema endocanabinoide e os sintomas da menopausa.
- Há evidência boa de eficácia do CBD em ansiedade e sono em populações adultas — desfechos diretamente relevantes para menopausa.
- Há sinalização positiva em pesquisas com mulheres na menopausa especificamente, mas a maior parte é observacional.
- Faltam ensaios clínicos randomizados específicos para CBD em fogachos, e essa lacuna deve ser respeitada.
Sintomas que o canabidiol pode aliviar: fogachos, sono, humor e dor
Insônia e despertar noturno
Esta é a queixa em que o CBD tem o respaldo mais consistente. Mulheres na menopausa frequentemente relatam um padrão específico: até dormem, mas acordam às 3-4h da manhã, geralmente com calor, e não conseguem voltar. Esse padrão tem componente vasomotor (fogacho noturno) e componente de ansiedade matinal — e o CBD trabalha exatamente nesses dois eixos.
A faixa de dose mais usada em estudos para sono é de 25-75 mg à noite, geralmente 30-60 minutos antes de deitar. Para casos com despertar noturno marcado, alguns médicos prescrevem formulações com CBN (canabinol, com perfil mais voltado para manutenção do sono) ou com microdoses de THC. Aprofundamos em Canabidiol para Insônia na Menopausa e em CBD ajuda a dormir melhor durante a menopausa?.
Ansiedade, irritabilidade e oscilação de humor
O segundo bloco de queixas que o CBD endereça bem. A ansiedade da menopausa tem uma característica peculiar — muitas mulheres relatam que nunca foram ansiosas antes e que isso surgiu junto com os outros sintomas. Faz sentido: a queda do estrogênio afeta a serotonina, e o CBD age justamente em receptores serotoninérgicos (5-HT1A), com efeito ansiolítico documentado em estudos clínicos. Doses típicas: 25-75 mg/dia, divididas em 2-3 tomadas. Detalhes em CBD ajuda na ansiedade e irritabilidade da menopausa?.
Fogachos e suores noturnos
Aqui é onde a literatura é mais cuidadosa. Existem dois caminhos possíveis pelos quais o CBD pode ajudar:
- Direto: modulação central da termorregulação via sistema endocanabinoide (mecanismo plausível, mas não confirmado em RCT).
- Indireto: redução da ansiedade que dispara ou amplifica os fogachos, e melhora do sono que reduz suores noturnos.
Na prática clínica, muitas mulheres relatam alívio dos fogachos com CBD — mas é importante separar o que é efeito direto vasomotor do que é efeito sobre o sistema nervoso autônomo via ansiólise. Veja a discussão completa em Canabidiol para Fogachos e em Canabidiol funciona para ondas de calor e fogachos?.
Dor nas articulações e dores musculares
A queda do estrogênio aumenta a sensibilidade à dor e contribui para dor articular e muscular difusa. O CBD tem evidência consistente em dor crônica e inflamação, e os médicos podem considerar formulações com CBG (canabigerol, com perfil anti-inflamatório e analgésico complementar) ou com mais THC para casos de dor mais intensa. Aprofundamos em Canabidiol ajuda na dor nas articulações da menopausa?.
Libido, ressecamento vaginal e dispareunia
Tema sub-explorado em conteúdo brasileiro. Existem produtos tópicos íntimos com CBD desenvolvidos para hidratação, redução do desconforto e melhora da resposta sexual. Não substituem orientação ginecológica nem tratamentos hormonais locais quando indicados, mas são opção complementar válida em muitos casos. Detalhes em Canabidiol melhora a libido e o ressecamento vaginal na menopausa?.
Brain fog e memória
A “neblina mental” do climatério — esquecimento, dificuldade de concentração, lentidão de raciocínio — tem componente hormonal direto e componente secundário (insônia + ansiedade + ondas de calor noturnas comprometem cognição diurna). O CBD aqui atua mais indiretamente: ao melhorar sono e reduzir ansiedade, a cognição diurna tende a melhorar como consequência. Discutido em Canabidiol ajuda no ‘brain fog’ e na memória da menopausa?.
Dose recomendada na prática clínica e custo mensal estimado
Antes de qualquer número: dose de canabidiol é individual e deve ser definida por médico prescritor. As faixas a seguir são referências da literatura e da prática clínica, não prescrição.
Para sintomas da menopausa, a faixa mais usada em estudos e na prática é de 25 a 75 mg/dia, em linha com o que Shannon e colaboradores (2019) documentaram para ansiedade e sono. Algumas mulheres com dor articular significativa ou sintomas mais intensos podem chegar a 100-150 mg/dia sob orientação médica. Início típico: 10-25 mg/dia, com titulação gradual ao longo de 2-4 semanas. Detalhes práticos em Dosagem de Canabidiol para Menopausa: Quantas Gotas Tomar.
Convertendo mg em gotas (Full Spectrum 6000 mg/30 mL = 200 mg/mL, 1 gota ≈ 4,4 mg):
| Dose diária | Equivalente em gotas (200 mg/mL) | Duração de um frasco de 6000 mg | Custo mensal estimado (Cannaviva 6000 mg, R$ 350) |
|---|---|---|---|
| 25 mg/dia | ~6 gotas | ~240 dias | ~R$ 44/mês |
| 50 mg/dia | ~11 gotas | ~120 dias | ~R$ 88/mês |
| 75 mg/dia | ~17 gotas | ~80 dias | ~R$ 131/mês |
| 100 mg/dia | ~23 gotas | ~60 dias | ~R$ 175/mês |
Valores são estimativas para um frasco específico tomado como referência de mercado. O custo real varia com a marca, a concentração escolhida e a dose final prescrita pelo médico. Aprofundamos em Preço do Canabidiol para Menopausa.
Produtos usados como referência de mercado
Existem muitos medicamentos à base de Cannabis medicinal disponíveis no mercado. Os produtos citados a seguir são mencionados como parâmetro ilustrativo de composição e faixa de preço — não constituem recomendação de compra. A escolha do medicamento, da dose e da via de acesso é sempre definida pelo médico prescritor com base no quadro clínico individual da paciente.
Cannaviva Full Spectrum CBD 6000 mg/30 mL — R$ 350
Full Spectrum de alta concentração (200 mg/mL). Concentração frequentemente usada como base nas prescrições da Fito por bom custo-benefício.
cbdMD Full Spectrum CBD 6000 mg/30 mL — R$ 377
Mesma concentração e formato (200 mg/mL), outra marca importada de referência.
Canna River Full Spectrum Classic CBD 6000 mg/60 mL — R$ 390
Mesma quantidade total de CBD em frasco maior (100 mg/mL), o que altera a contagem de gotas (1 gota ≈ 2,2 mg).
Lazarus Naturals Sleep CBD 900 mg + CBN 600 mg/30 mL — R$ 156
Formulação específica para sono, combinando CBD e CBN (canabinol). Considerada quando o sintoma principal é o despertar noturno persistente.
Canna River Pain Full Spectrum CBD 5000 mg + CBG 2500 mg/60 mL — R$ 338
Combinação CBD + CBG (canabigerol), com perfil voltado para dor e inflamação. Pode ser considerada para mulheres com dor articular/muscular significativa.
Cannaviva Full Spectrum CBD 600 mg + THC 600 mg/30 mL — R$ 450
Formulação com proporção maior de THC. Uso restrito, somente sob prescrição médica, autorização ANVISA e em casos em que o médico julga necessário um perfil canabinoide diferente do CBD-predominante.
⚠️ Produtos com THC acima de 0,3% exigem prescrição médica específica e autorização sanitária para importação/uso.
Biocase Allandiol Intimacy Full Spectrum CBD 300 mg/60 mL (uso íntimo) — R$ 133
Produto tópico íntimo, considerado em casos de ressecamento vaginal e dispareunia, como complemento — nunca substituto — de orientação ginecológica.
As opções citadas servem para comparar composição e custo; o medicamento adequado — inclusive quando a resposta clínica exige outro espectro de canabinoides ou maior proporção de THC — é definido pelo médico com base na sua condição, titulação e evolução. Comparativo completo em Melhores Marcas de Canabidiol para Menopausa.
CBD, reposição hormonal e outros tratamentos: como se combinam
Uma das perguntas mais comuns é: “CBD substitui a reposição hormonal?”. A resposta honesta é não, na maioria dos casos — mas isso não significa que sejam excludentes. Eles atuam em sistemas diferentes:
- Terapia de reposição hormonal (TRH): repõe o estrogênio (e progesterona, quando indicado) que o corpo deixou de produzir. Atua na causa hormonal.
- CBD: modula o sistema endocanabinoide, ansiólise serotoninérgica, anti-inflamatório. Atua nos sintomas e em uma rede paralela à hormonal.
Cenários clínicos onde a combinação faz sentido:
- Mulher em TRH com sintomas residuais de ansiedade, insônia ou dor: CBD como complemento.
- Mulher com contraindicação à TRH (histórico de câncer hormônio-dependente, trombose, entre outros): CBD pode ser parte da estratégia, em conjunto com outras opções não hormonais (ISRS para fogachos, fitoterápicos, mudanças de estilo de vida).
- Mulher que prefere não usar TRH: decisão respeitável, e o CBD pode ser uma das ferramentas — sem expectativa de substituir todos os benefícios da TRH (especialmente os ósseos e cardiovasculares).
Sobre interações medicamentosas: o CBD é metabolizado pelo sistema CYP450 (especialmente CYP3A4 e CYP2C19), o mesmo que metaboliza muitos medicamentos usados nessa faixa etária — antidepressivos ISRS, alguns anticoagulantes, estatinas, bisfosfonatos, e a própria TRH oral. Isso não significa que o CBD é proibido junto com esses medicamentos — significa que o médico prescritor precisa avaliar a polifarmácia, ajustar doses se necessário e acompanhar. Aprofundamos em Canabidiol vs Reposição Hormonal, CBD pode substituir a reposição hormonal? e CBD interage com a terapia de reposição hormonal?.
Perguntas Frequentes
O canabidiol funciona mesmo para os sintomas da menopausa?
Para sono e ansiedade, a evidência é boa: cerca de 79% dos pacientes relataram redução da ansiedade e 67% melhora do sono em série clínica com CBD entre 25-75 mg/dia (Shannon et al., 2019). Em pesquisa específica com 258 mulheres em peri e pós-menopausa, distúrbios do sono e alterações de humor foram os principais motivos de uso (Dahlgren et al., 2022). Para fogachos isolados, a evidência ainda é preliminar — muitas relatam alívio, mas faltam ensaios clínicos randomizados confirmando efeito direto sobre as ondas de calor.
O CBD pode substituir a terapia de reposição hormonal (TRH)?
Na maioria dos casos, não. A TRH repõe estrogênio diretamente; o CBD atua em um sistema paralelo (endocanabinoide e serotoninérgico). Eles podem ser complementares. Para mulheres com contraindicação à TRH ou que escolhem não usar hormônios, o CBD pode ser parte de uma estratégia não hormonal — mas não cobre todos os benefícios da reposição (especialmente os ósseos e cardiovasculares). A decisão é clínica e individual.
Quantas gotas de canabidiol uma mulher na menopausa deve tomar?
A faixa mais usada em estudos é de 25 a 75 mg/dia. Em um Full Spectrum 6000 mg/30 mL (200 mg/mL), isso equivale a aproximadamente 6 a 17 gotas/dia, divididas em 1-3 tomadas. O início típico é 10-25 mg/dia, com titulação gradual ao longo de 2-4 semanas. A dose final é definida pelo médico prescritor com base nos sintomas e na resposta individual.
O CBD ajuda a dormir melhor durante a menopausa?
Sim, esse é o desfecho com maior respaldo. O CBD reduz a latência (tempo para adormecer) e melhora a qualidade do sono em diferentes populações (Babson et al., 2017). Em séries clínicas, dois terços dos pacientes relatam melhora no primeiro mês (Shannon et al., 2019). Para casos com despertar noturno persistente, formulações com CBN ou microdoses de THC podem ser consideradas pelo médico.
Canabidiol funciona para fogachos e ondas de calor?
A evidência é preliminar. Estudos observacionais sugerem alívio percebido pelas mulheres, mas não existem ensaios clínicos randomizados confirmando efeito direto do CBD sobre os fogachos. Parte do alívio relatado pode vir do efeito indireto — redução da ansiedade que dispara ou amplifica os fogachos, e melhora do sono que reduz suores noturnos. É uma área onde a ciência ainda está se construindo.
O CBD ajuda na ansiedade e irritabilidade típicas dessa fase?
Sim. Cerca de 79% dos pacientes do estudo de Shannon (2019) relataram redução da ansiedade no primeiro mês com CBD em doses entre 25-75 mg/dia. O mecanismo é a modulação dos receptores serotoninérgicos 5-HT1A, exatamente o sistema mais afetado pela queda do estrogênio na menopausa. Doses típicas são divididas em 2-3 tomadas ao dia.
O canabidiol melhora a libido e o ressecamento vaginal?
Há produtos tópicos íntimos com CBD desenvolvidos para hidratação local e melhora do desconforto. Não substituem orientação ginecológica nem tratamentos hormonais locais quando indicados, mas podem ser complementares em casos selecionados. O CBD oral, indiretamente, pode contribuir ao reduzir ansiedade e melhorar sono — fatores que impactam libido.
O CBD interage com a TRH e com outros medicamentos que tomo?
Pode haver interação. O CBD é metabolizado pelas enzimas CYP450 (especialmente CYP3A4 e CYP2C19), as mesmas que metabolizam antidepressivos ISRS, alguns anticoagulantes, estatinas, bisfosfonatos e TRH oral. Isso não impede o uso conjunto, mas exige avaliação médica para ajuste de doses e acompanhamento. Nunca inicie CBD sem informar o médico sobre todos os medicamentos em uso.
Quanto tempo o CBD demora para fazer efeito na menopausa?
Para sono e ansiedade aguda, muitas pacientes percebem efeito já nas primeiras 1-2 semanas. Para o quadro mais amplo (humor, dor, qualidade geral do sono), o tempo típico para resposta consolidada é de 4-8 semanas, à medida que a dose é titulada e o tratamento se estabiliza. Não há cronologia precisa estabelecida na literatura — a resposta é individual.
O canabidiol é seguro para mulheres acima dos 50 anos?
Sim, o perfil de segurança é favorável. Não há relato de morte por overdose de CBD na literatura científica mundial (OMS, 2018). Os efeitos colaterais mais comuns são leves e transitórios — sonolência inicial, boca seca, alteração discreta de apetite. A principal atenção é com polifarmácia, comum nessa faixa etária, e exige avaliação médica para verificar interações.
O CBD ajuda na dor nas articulações e nas dores musculares da menopausa?
Sim, há evidência consistente do CBD em dor crônica e inflamação. A queda do estrogênio aumenta a sensibilidade à dor, e o CBD atua via receptores CB2 (anti-inflamatório) e modulação central. Para dores articulares mais intensas, o médico pode considerar formulações com CBG ou com mais THC, conforme o caso.
Existe diferença em usar CBD na perimenopausa e na pós-menopausa?
Sim. Na perimenopausa, os sintomas costumam ser mais oscilantes — ciclos irregulares, fogachos intermitentes, alterações abruptas de humor — e o CBD pode ser usado de forma mais flexível, ajustado conforme a fase. Na pós-menopausa, o quadro tende a ser mais estável e o tratamento pode ser mais constante. A dose-alvo final tende a ser semelhante; o que muda é a estratégia de titulação. Aprofundamos em Tem diferença usar CBD na perimenopausa e na pós-menopausa?.
O CBD ajuda no “brain fog” e na memória da menopausa?
O efeito é principalmente indireto. Ao melhorar o sono e reduzir a ansiedade, a cognição diurna tende a melhorar como consequência — uma vez que insônia crônica e ansiedade alta comprometem fortemente memória e atenção. Não há evidência de que o CBD reverta diretamente alterações cognitivas hormonais.
Como a Fito Canábica apoia mulheres no climatério e na menopausa
A Fito Canábica conecta pacientes a médicos prescritores qualificados em Cannabis medicinal, com consulta a partir de R$ 180. Para esse público especificamente, contamos com médicas mulheres prescritoras experientes — Dra. Victoria Taveira, Dra. Clara Calabrich e Dra. Nathalie Vestarp — além do Dr. Diego Araldi, todos com experiência em prescrição para essa fase da vida.
- Consulta online com médico prescritor (a partir de R$ 180)
- Avaliação individualizada do quadro clínico — sintomas, medicamentos em uso, histórico
- Definição do produto, espectro e dose-alvo
- Orientação completa sobre autorização ANVISA e importação quando aplicável
- Acompanhamento farmacêutico durante a fase de titulação
- Suporte por WhatsApp para dúvidas no tratamento
- Consultas de retorno periódicas para ajustar o tratamento conforme a evolução
O tratamento com canabidiol é um tratamento sério que requer atenção profissional especializada. O melhor caminho começa pela consulta com um médico qualificado em prescrição de cannabis medicinal, preferencialmente com experiência em sintomas do climatério e da menopausa. O médico avalia o caso, define o produto e a dose-alvo, e emite a receita. Depois disso, a paciente faz a aquisição do medicamento e inicia o tratamento conforme orientação médica. Existem caminhos que facilitam essa jornada: a Fito Canábica conecta pacientes a médicos prescritores qualificados, com consulta a partir de R$ 180.
Agende sua consulta com as médicas prescritoras da Fito Canábica →Leia também
- Dosagem de Canabidiol para Menopausa: Quantas Gotas Tomar por Dia
- Preço do Canabidiol para Menopausa: Quanto Custa o Tratamento por Mês
- Canabidiol vs Reposição Hormonal: Complemento ou Alternativa na Menopausa?
- Melhores Marcas de Canabidiol para Menopausa: Comparativo de Produtos e Preços
- Canabidiol para Insônia na Menopausa: Como Usar para Dormir Melhor
- Canabidiol para Fogachos: Funciona para Aliviar as Ondas de Calor?
- Efeitos Colaterais do Canabidiol em Mulheres na Menopausa
- CBD ajuda na ansiedade e irritabilidade da menopausa?
- Canabidiol melhora a libido e o ressecamento vaginal na menopausa?
- Canabidiol ajuda na dor nas articulações da menopausa?
Dr. Fabrício Pamplona é farmacologista e pesquisador brasileiro, Doutor em Psicofarmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Instituto Max Planck de Psiquiatria (Munique, Alemanha). Dedica-se há mais de 20 anos ao estudo do sistema endocanabinoide e ao desenvolvimento de terapias à base de Cannabis medicinal. Autor de mais de 50 artigos científicos publicados em revistas internacionais, é sócio da Fito Canábica e atua traduzindo a ciência da Cannabis para a prática clínica com linguagem acessível, responsabilidade e foco no paciente.
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Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica. O uso de Cannabis medicinal requer avaliação e prescrição de médico habilitado. Procure um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer tratamento.
Referências
- Dahlgren MK, El-Abboud C, Lambros AM, Sagar KA, Smith RT, Gruber SA. A survey of medical cannabis use during perimenopause and postmenopause. Menopause. 2022. DOI: 10.1097/GME.0000000000002018. PMID: 35917529.
- Shannon S, Lewis N, Lee H, Hughes S. Cannabidiol in Anxiety and Sleep: A Large Case Series. The Permanente Journal. 2019. DOI: 10.7812/TPP/18-041. PMID: 30624194.
- Babson KA, Sottile J, Morabito D. Cannabis, Cannabinoids, and Sleep: a Review of the Literature. Current Psychiatry Reports. 2017;19(4):23. DOI: 10.1007/s11920-017-0775-9. PMID: 28349316.
- Slavin MN, Farmer S, Earleywine M. Expectancy mediated effects of marijuana on menopause symptoms. Addiction Research & Theory. 2016. DOI: 10.3109/16066359.2016.1139701.
- Reich A, Mędrek K. The endocannabinoid system and menopause. Climacteric. 2023.
- Russo EB. Clinical Endocannabinoid Deficiency Reconsidered. Cannabis and Cannabinoid Research. 2016. DOI: 10.1089/can.2016.0009. PMID: 28861491.
- World Health Organization (WHO). Cannabidiol (CBD) Critical Review Report. Expert Committee on Drug Dependence, 2018.
